Novo governo, velhos erros
A Síria passa por um momento crucial após a queda do ditador Bashar al-Assad e do regime familiar que durou 53 anos. A transição de poder tem gerado incertezas sobre os rumos políticos do país, sem clareza sobre o modelo de república a ser adotado. Em meio a esse cenário, o grupo terrorista HTS (Hayat Tahrir al-Sham), ligado à Al-Qaeda e ao fundamentalismo islâmico, tem ganhado destaque. Seu líder, Ahmed al-Sharaa, busca se apresentar de forma mais moderada, apesar de ser considerado terrorista por várias nações.
O ministério da educação da Síria já promoveu mudanças significativas no currículo escolar, refletindo um viés fundamentalista. O slogan “defendendo a nação” foi substituído por “defendendo Alá”, e alterações nas disciplinas estudadas estão em curso.
Episódios históricos relacionados ao Império Romano e à era cristã na região estão sendo diminuídos em importância no ensino. Além disso, um conjunto de mandamentos com teor extremista foi divulgado, incentivando a divisão sectária no país.
O novo governo também tem minimizado referências aos anos de ditadura de Assad nos livros escolares, preocupando as minorias religiosas, como os cristãos, que compõem cerca de 10% da população. O ministro da educação, Nazir al-Qadri, afirma que as mudanças propostas estão em avaliação, e o currículo permanece sem alterações até novo aviso.
Apesar dos abusos políticos cometidos durante o regime de Assad, muitos acreditam que a liberdade religiosa não foi diretamente afetada. Contudo, o atual governo levanta preocupações sobre um possível retrocesso em relação às liberdades individuais. A transição para um governo mais fundamentalista pode não representar melhorias significativas para a população síria, que tem enfrentado longos períodos de instabilidade e sofrimento.

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