Meninas, sem deficiência e sem irmãos: Critérios rígidos de pretendentes geram entraves no Sistema de Adoção na Bahia

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No coração da Bahia, um quadro alarmante se desenha entre aqueles que anseiam por formar uma família e as crianças que esperam por um lar. Atualmente, 1.362 baianos estão registrados no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), enquanto mais de 1.089 crianças permanecem em serviços de acolhimento. Apesar dessas estatísticas, apenas 259 crianças estão, de fato, disponíveis para adoção. O restante, uma maioria, permanece envolto em complexidades diversas, que tornam a união entre pretendentes e crianças um desafio contínuo.

Os dados revelam uma realidade onde os critérios de adoção se tornam barreiras para a formação de laços. A maioria dos pretendentes busca por crianças menores de seis anos, com quase um terço deles interessando-se especificamente por crianças de 2 a 4 anos. Por outro lado, mais de 66% das crianças disponíveis para adoção têm entre 10 e 17 anos, mostrando uma clara desconexão entre o que os adotantes almejam e a realidade das crianças.

Entre os pretendentes, 81,4% são casais e apenas 18,6% estão no processo sozinhos. A preferência de gênero também se destaca: embora 55,4% não tenham preferência específica, a maioria que faz escolhas opta por meninas, enquanto a disparidade de gênero nas crianças disponíveis mostra que meninos são mais numerosos. Isso levanta questões sobre as expectativas e a diversidade dentro do sistema de adoção.

No aspecto étnico, muitos pretendentes mostram-se abertos à adoção de crianças de diferentes etnias, mas os padrões de aceitação ficam restritos quando se trata de irmãos, deficiências e doenças. Um expressivo 73,1% prefere adotar apenas uma criança, o que implica que muitos irmãos são separados. Somente 2,5% estão dispostos a adotar crianças com deficiências, e 85,2% não aceitam crianças com qualquer tipo de doença.

Tal realidade afeta diretamente as vidas das crianças, que muitas vezes se veem diante da possibilidade de ficar sem o apoio de irmãos ou de serem descartadas devido a características como deficiências. A disparidade entre o que os pretendentes buscam e o que as crianças realmente precisam propõe um desafio à sociedade: como podemos transformar essa narrativa e garantir que mais crianças encontrem um lar amoroso? Sua opinião é importante! Compartilhe seus pensamentos sobre a adoção e ajude a promover essa causa.

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