Alemanha já não pode mais bancar Estado social, diz premiê Merz

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, propôs uma reforma no Estado de bem-estar social do país, afirmando que não é viável continuar com o modelo atual sem aumentar impostos sobre empresas de médio porte. Durante um evento da União Democrata Cristã (CDU), Merz afirmou que o Estado de bem-estar social, da forma como existe hoje, não é mais sustentável.

As declarações de Merz o colocam em desacordo com o Partido Social Democrata (SPD), que é fundamental para a sua governabilidade, mas que se opõe à proposta de reforma. Ambos os partidos concordaram em reestruturar o sistema de seguridade social, que inclui saúde pública, aposentadorias e auxílio ao desemprego. Este sistema é majoritariamente financiado por impostos sobre a renda dos trabalhadores.

Enquanto a CDU defende cortes na área social, o SPD sugere aumentar impostos para lidar com o crescente déficit público. Merz reconheceu as dificuldades que o SPD enfrenta para aceitar cortes, mas pediu colaboração entre os partidos para encontrar soluções.

O chanceler enfatizou que seu governo não irá aumentar a taxação de empresas de médio porte, mesmo que alguns social-democratas defendam essa medida. Ele destacou a necessidade de manter uma política de imigração controlada e amigável à indústria, com o objetivo de garantir um futuro próspero para a Alemanha.

Merz também expressou preocupação com o número de beneficiários do Bürgergeld, um programa de renda mínima para desempregados, mencionando que existem 5,6 milhões de beneficiários. Ele sugeriu que esse benefício pode desincentivar a busca por emprego e prometeu que seu governo vai implementar mudanças para facilitar a volta ao mercado de trabalho.

Tema é polêmico dentro da coalizão de governo

Embora Merz não tenha mencionado nomes específicos, seu vice, Lars Klingbeil (SPD), declarou anteriormente que não descarta aumentar a tributação sobre patrimônios e rendas mais altas. Klingbeil destacou que são necessárias reformas estruturais para estabilizar as contribuições sociais, ressaltando a importância de ajudar as pessoas necessitadas.

Cortes sociais são mal vistos pela juventude social-democrata, e Merz tem enfrentado dificuldades para conquistar o apoio de sua base desde que assumiu o governo. Seus comentários recentes podem servir como um apelo ao eleitorado tradicional da CDU e aos votantes que abandonaram o partido em favor da Alternativa para a Alemanha (AfD).

“Não estou satisfeito com o que alcançamos até agora”, afirmou Merz. “Tem que ser mais.”

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Lula mantém vantagem contra Flávio Bolsonaro com 41% no 1º turno, mostra nova pesquisa Datafolha

Datafolha divulgou, neste sábado, novo cenário eleitoral: Lula (PT) lidera com 41% das intenções de voto no cenário mais provável do primeiro turno,...

Lula “vai conduzir bem” situação de Jaques Wagner, diz Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o presidente Lula vai conduzir a decisão sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do...

Éden questiona atuação da Justiça em casos envolvendo Flávio Bolsonaro: “complacência”

O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, criticou neste sábado a suposta omissão da Justiça em casos envolvendo o senador Flávio...