Até sirene na moto: veja como cidades regulam apps de entrega no mundo

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Cidades ao redor do mundo, que já enfrentaram os impactos dos aplicativos de entrega no trânsito, estão adotando medidas para evitar imprudências por parte de motociclistas. Esse comportamento é incentivado pelas pressões dos algoritmos das empresas de entrega. Em locais como Nova York, nos Estados Unidos, e Adis Abeba, na Etiópia, foram implementadas desde um salário mínimo para os entregadores até sistemas de sirenes que alertam quando a moto ultrapassa a velocidade permitida.

Em entrevista ao Metrópoles, Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global em São Paulo, explicou que os aplicativos de entrega aumentam o número de motos nas ruas, levando à adoção de comportamentos arriscados para cumprir prazos apertados. Em uma cidade como São Paulo, que é a maior do Brasil, há potencial para implementar medidas semelhantes às de Nova York e Adis Abeba. Ele ressalta a importância de um diálogo entre a cidade e essas plataformas, especialmente sobre a segurança dos trabalhadores.

Nova York, por exemplo, garantiu um salário mínimo de US$ 21,44 (R$ 114,16) por hora para os entregadores. Antes dessa medida, a média era de apenas US$ 5,39 (R$ 28,70) por hora. Desde a implementação desse salário, a cidade viu um aumento de cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,7 bilhões) nos rendimentos dos entregadores.

Enquanto isso, em São Paulo, o iFood oferece uma tarifa básica de R$ 7,50 por entrega em motos e R$ 7 em bicicletas. Além disso, os trabalhadores recebem bônus durante períodos de alta demanda, o que os leva a correr mais e, consequentemente, arriscar suas vidas.

Em relação ao impacto desses aplicativos na mobilidade urbana, Lemos destacou que o aumento do número de motocicletas fica evidente, assim como o maior desrespeito às regras de trânsito. Essa pressão por entregas rápidas transforma a segurança em uma preocupação secundária para muitos condutores.

Outras cidades têm tomado medidas para lidar com esses desafios. Nova York, por exemplo, criou uma regulamentação que estabelece um pagamento básico para entregadores, independentemente da quantidade de entregas realizadas. Já em Adis Abeba, as empresas precisam compartilhar dados com a prefeitura e garantir que as motos não excedam 50 km/h, com alerta sonoro em caso de descumprimento.

No contexto de São Paulo, a cidade precisa agir em várias frentes para garantir a segurança no trânsito, considerando tanto ações imediatas quanto planejamentos a longo prazo. A gestão de velocidades é uma prioridade, pois a fiscalização tem diminuído, contribuindo para o comportamento de risco entre os motoristas.

Em suma, é necessário um equilíbrio entre a regulamentação dos aplicativos e a oferta de alternativas de transporte mais seguras. Isso envolve um esforço maior para fortalecer o sistema de transporte coletivo e garantir que os motociclistas possam transitar com segurança nas vias da cidade.

E você, o que acha das medidas que estão sendo adotadas para a segurança dos motociclistas? Deixe sua opinião nos comentários.

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