Mercado sobe previsão para a inflação a 6,45% e vê juros a 12,75% em 2022 após mega-aumento dos combustíveis

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

2021 03 09t155520z 1120448843 rc2r7m9nfbfn rtrmadp 3 health coronavirus brazil easy resize.com

A expectativa do mercado financeiro para a inflação saltou de 5,65% para 6,45% após o mega-aumento dos combustíveis promovido pela Petrobras, na semana passada. Para 2023, a estimativa foi revisada de 3,51% para 3,7%, enquanto a projeção de 2024 foi a 3,15%. As previsões foram publicadas nesta segunda-feira, 14, no Boletim Focus, a pesquisa semanal que o Banco Central (BC) faz com mais de uma centena de instituições. A nova estimativa para a inflação ??? a nona mudança consecutiva para cima ???, afasta ainda mais a confiança do mercado na capacidade de a autoridade monetária cumprir a meta da inflação em 2022, de 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual, ou seja, entre 2% e 5%. Caso se concretize, será o segundo ano seguido que o teto imposto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é estourado. Em 2021, o IPCA encerrou em 10,06%, quase o dobro do limite de 5,25%. Para analistas, o BC já abandonou as expectativas para 2022 e foca em deixar a inflação abaixo do teto em 2023, ano em que a autoridade monetária vai perseguir a meta de 3,25%, com limites de 1,75% e 4,75%. A inflação foi a 1,01% em fevereiro, o maior resultado para o mês em sete anos, e somou 10,54% em 12 meses. O resultado, no entanto, não consta com os reflexos da disparada das commodities, principalmente agrícolas e energéticas, com a guerra no Leste Europeu.

A alta da expectativa com o IPCA levou ao aumento da previsão dos juros para 12,75% ao ano em 2022, ante 12,25% na edição passada. A mudança também reverberou para 2022, com mudança de 8,25% para 8,75% e em 2024, com alta para 7,5%. A Selic, atualmente em 10,75% ao ano, é a principal ferramenta do BC para conter a variação de preços, e a sua escalada incide diretamente na desaceleração da economia pela taxa ser usada como referência para empréstimos bancários e financiamentos. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne neste terça e quarta-feira para definir o novo patamar dos juros. O mercado estima o acréscimo de 1,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 12% ao ano, o maior nível desde 2017. Em diversas oportunidades, o BC deixou claro que vai promover o aperto monetário até onde for necessário para ancorar as expectativas em 2022 e 2023 ??? período considerado com horizonte relevante. A recente pressão inflacionária com o conflito na Ucrânia levou analistas a aumentarem as expectativas da trajetória de alta e do patamar final dos juros para próximo de 14% ao ano.

Os analistas do mercado financeiro também revisaram para cima a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 0,42% para 0,49%, na segunda semana seguida de revisão. Para 2023, no entanto, a expectativa foi rebaixada de 1,5% para 1,43%. A recente desvalorização do dólar com o fluxo positivo de capital estrangeiro fez a previsão para o câmbio cair de R$ 5,40 para R$ 5,30 no fim deste ano. Em 2023, o mercado enxerga a cotação em R$ 5,21, ante R$ 5,30 na semana passada. A divisa norte-americana abriu a semana em alta, cotado na faixa de R$ 5,06.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Durigan rebate críticas de inércia diante da crise do BRB

Resumo: Ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebate acusações de inércia do governo na crise do BRB, em...

Amcham defende evitar adoção de reciprocidade contra os EUA

Resumo — Governo abre processo para avaliar respostas às tarifas dos EUA com base na Lei da...

Petrobras divulga achado de óleo em Foz do Amazonas, AM

Resumo Petrobras identifica hidrocarbonetos no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Foz do Amazonas, Amapá. Poço fica a cerca de...