Uma operação conjunta das Polícias Militares da Bahia, São Paulo e Espírito Santo, com apoio do GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) do Ministério Público de São Paulo e do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do MP da Bahia, prendeu nesta quarta-feira (15/10), em Mucuri, no extremo sul da Bahia, o ex-auditor-fiscal Arnaldo Augusto Pereira, de 58 anos.
Condenado a 18 anos de prisão por envolvimento na chamada “máfia do ISS”, esquema de corrupção que funcionou na Prefeitura de São Paulo entre 2007 e 2013 e movimentou mais de R$ 500 milhões em propinas, Arnaldo foi localizado em casa, no bairro Jardim Atlântico, após uma caçada que durou mais de seis anos.
O esquema e a condenação: Arnaldo atuou nas prefeituras de São Paulo e Santo André, e foi condenado em 2019 pelo juiz Marcos Alvarenga, da 12ª Vara Criminal de São Paulo, pelos crimes de concussão (exigir propina) e lavagem de dinheiro. Segundo a sentença, quando era secretário de Planejamento de Santo André, ele recebeu R$ 1,17 milhão em propina de uma construtora em troca da liberação de um alvará para construção de um condomínio residencial.
O Ministério Público de São Paulo o apontou como um dos mentores da máfia do ISS, esquema que envolvia servidores públicos e empresários para reduzir o valor do imposto devido por grandes construtoras, mediante pagamento de propinas. À época, Arnaldo ocupava o cargo de subsecretário de Arrecadação na gestão do então prefeito Gilberto Kassab (PSD).
A fuga e a simulação da própria morte: Após ser afastado e demitido do serviço público em 2013, o ex-auditor foi preso duas vezes, em 2016 e 2017, mas voltou a responder em liberdade. Em agosto de 2025, ele tentou enganar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apresentando documentos e atestados falsos que simulavam sua morte. O golpe chegou a confundir autoridades, levando o ministro Antônio Saldanha Palheiro, da 6ª Turma do STJ, a declarar extinta a punibilidade do acusado.
A farsa, no entanto, foi desmascarada após inconsistências em registros de cartórios e atestados médicos, o que reabriu as investigações.
A vida sob nova identidade: Usando documentos falsos, Arnaldo se mudou para o Nordeste, fixando residência em Mucuri, onde levava uma vida discreta, posando de corretor de imóveis e adquirindo alguns pontos comerciais no centro da cidade.
Após rastreamentos e cruzamento de informações entre os serviços de inteligência dos três estados, os agentes localizaram o ex-auditor e cumpriram o mandado de prisão em uma casa modesta na Rua Bonito, no condomínio Jardim Atlântico. Ele não resistiu à prisão e foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Mucuri, onde prestou depoimento ao delegado Daniel Souza.
Em seguida, foi transferido para Vitória (ES), de onde será levado para São Paulo, onde cumprirá a pena em regime fechado.
Fim da fuga e novos crimes: A prisão encerra uma longa trajetória de fuga, fraudes e falsas identidades. Arnaldo Augusto Pereira, agora, também responderá por falsidade ideológica e uso de documento falso, delitos cometidos durante o período em que se manteve foragido.
As forças de segurança celebraram a ação como um exemplo de cooperação interestadual, que resultou na captura de um dos principais envolvidos em um dos maiores escândalos de corrupção da história recente de São Paulo.
