Manoel Carlos, um dos nomes mais fortes da teledramaturgia brasileira, impulsionou uma virada histórica com a personagem Helena em Viver a Vida. Interpretada por Taís Araújo, a Helena era uma top model de sucesso internacional que se tornou a primeira protagonista negra de uma novela das 8 da Globo, em 14 de setembro de 2009. A trama, porém, discutia representatividade sem transformar isso em bandeira.
Antes de estrear, Manoel Carlos descreveu a Helena como solteira, entre 25 e 30 anos, bem-sucedida e que viajava bastante. Ele chegou a cogitar outra atriz, mas entendeu que Taís Araújo, com a beleza internacional, poderia convencer o público como top model.
Em entrevistas antigas, o autor afirmou que o que importava era a personagem ser jovem e convincente, e que não queria transformar isso em bandeira racial. “&Poderia ser japonesa, para mim não faria diferença&”, disse, reconhecendo que a escolha gerou debate sobre raça apenas pelo contexto.
Taís Araújo, em entrevista de 2019, comentou as declarações de Manoel Carlos, destacando que a visão inicial refletia uma época em que o Brasil era visto como cordial. Mesmo assim, a atriz afirma ter compreendido a importância de discutir questões raciais na televisão, abrindo espaço para novas narrativas e debates.
Além de Viver a Vida, Taís Araújo tem importância histórica ao ser identificada como a primeira atriz negra protagonista de uma novela da Globo, consolidando sua carreira com Xica da Silva (1996, Rede Manchete) e Da Cor do Pecado (2003, Globo). Em 2025, ela reforçou em Fantástico o impacto transformador de Helena, especialmente para mulheres que se reconheceram com o cabelo crespo na tela.
A trajetória de Manoel Carlos e Taís Araújo sinalizou uma mudança real na teledramaturgia brasileira, abrindo espaço para protagonistas negras e histórias de representatividade. Convidamos você a compartilhar sua opinião sobre esse marco e como a representatividade na TV pode influenciar a nossa visão de cinema e cultura.

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