Morre Manuel Carlos, autor de novelas, aos 92 anos

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Morreu aos 92 anos Manoel Carlos, um dos pilares da teledramaturgia brasileira. A confirmação foi dada pela produtora da família, Boa Palavra, e a causa da morte não foi divulgada. O velório foi informado como fechado e restrito à família e aos amigos íntimos, em um momento de homenagem à sua trajetória.

Maneco, como era carinhosamente conhecido, iniciou a carreira como ator na década de 1950, na TV Tupi, atuando ao lado de nomes como Fernanda Montenegro e Nathália Timberg. Também adaptou peças de teatro para a televisão e, nos anos 60, integrou a equipe da TV Excelsior, responsável por programas marcantes como Bibi 60. Na TV Record, integrou a Equipe A, produzindo clássicos como A Família Trapo e O Fino da Bossa.

A chegada à Globo marcou a grande virada de sua atuação, com a transição para a escrita de novelas diárias. Em pouco tempo, fez história em títulos como Maria, Maria e A Sucessora, consolidando o formato de telenovelas no horário das seis, e abrindo caminhos para novos formatos e temáticas.

Nos anos seguintes, Manoel Carlos assinou obras que entraram para o imaginário popular, incluindo Malu Mulher, que abordou feminismo e violência doméstica, além de projetos na década de 1980 e 1990 que reafirmaram sua assinatura — sempre com foco em personagens femininas fortes e em temas sociais relevantes. Ele também colaborou com a Globo na criação do drama semanal Fantástico, ao lado de grandes nomes da indústria.

Entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, suas novelas Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003) ganharam reconhecimento pela forma de tratar relacionamentos e questões sociais. Em Viver a Vida (2009), Taís Araújo interpretou Helena, considerada a primeira protagonista negra de uma novela das oito. Em Família (2014), ele encerrou seu ciclo na Globo, consolidando um legado de décadas de trabalho ininterrupto.

Ao longo da carreira, Manoel Carlos também foi lembrado pela visão de futuro ao tratar de temas como adoção, alcoolismo, violência doméstica, etarismo e homofobia. Em entrevistas, ele defendeu a ideia de que homens podem escrever sobre mulheres com empatia, citando referências da literatura de Flaubert, Balzac e Proust. Embora recebesse críticas por retratar a Zona Sul do Rio, sua obra deixou marcas profundas na teledramaturgia brasileira.

Nascido em São Paulo e com mais de cinco décadas de residência no Rio de Janeiro, Maneco foi casado com Cidinha Campos e, desde 1981, com Elisabety Gonçalves de Almeida. Além de sucessos na televisão, deixou filhos e enfrentou perdas familiares, como as de Ricardo (1987) e Manoel Carlos Júnior (2012) e Pedro Almeida (2014).

Ao longo da carreira, Manoel Carlos expandiu fronteiras, escrevendo também para emissoras fora do Brasil e contribuindo para a circulação de suas obras no exterior. Sua importância reside na habilidade de discutir temas sociais por meio de personagens complexos, influenciando gerações de profissionais e leitores da teledramaturgia brasileira.

Galeria de imagens:

Convido você a deixar nos comentários a sua novela de Manoel Carlos preferida e compartilhar memórias que exemplifiquem o impacto de seu trabalho na televisão brasileira. Sua opinião enriquece a discussão sobre a contribuição de um dos maiores nomes da dramaturgia nacional.

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