Caso Igor Peretto: júri separado para irmã e cunhado em Praia Grande; processo desmembrado e timeline do crime
O Ministério Público de São Paulo denunciou Marcelly Delfino Peretto, 22 anos, e Mario Vitorino da Silva Neto, 25, por homicídio com três qualificadoras — motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima — no caso que envolve o empresário Igor Peretto, assassinado a facadas em Praia Grande, no litoral de São Paulo, em 31 de agosto de 2024. A data dos julgamentos ainda não foi definida, e cada um deverá ser levado a júri em datas distintas, conforme o processo foi desmembrado.
Rafaela Costa da Silva, viúva de Igor, também foi denunciada pelo Ministério Público, mas acabou solta e desclassificada da acusação de homicídio. Ela foi indicada, em nota, como possível envolvida em favorecimento pessoal, enquanto a defesa e a Justiça paulista seguem analisando o papel dela no caso.
Processo desmembrado
Os júris estão marcados para datas diferentes porque o procedimento original foi desmembrado após mudanças na defesa de Marcelly e a desistência de um recurso pela advogada anterior. A defesa de Marcelly afirma que a pronúncia traz falhas e que o foco deve ir a julgamento pelo júri, enquanto a defesa de Mario mantém o recurso para discutir nulidades e qualificadoras descritas na acusação.
Segundo o advogado de Marcelly, Alex Ochsendorf, assumiu a defesa da ré no fim de 2023 e destacou que a mudança de estratégia levou à necessidade de julgamento separado. Já o advogado de Mario, Mario Badures, rebate descrições da denúncia e sustenta que houve nulidades processuais, além de contestar a existência de provas que indiquem envolvimento de Rafaela ou Marcelly com a morte de Igor.
A previsão é que o júri de Marcelly ocorra ainda no primeiro semestre deste ano. A defesa de Mario deve se habilitar para participar do julgamento, debatendo as falhas apontadas na pronúncia e buscando caminhos nas instâncias superiores, se necessário.
Na Vara do Júri de Praia Grande, o caso envolvendo Marcelly está perto de ser concluído em primeiro grau, com intimac?ões para arrolar testemunhas e requerer diligências. A promotoria, por sua vez, aguarda a manifestação da defesa para seguir com o andamento processual e definir a data do júri.
Relembre o caso
- O empresário Igor Peretto, 27 anos, foi morto a facadas em 31 de agosto de 2024, no apartamento da irmã Marcelly, em Praia Grande.
- Segundo o Ministério Público, Igor foi assassinado após descobrir que estaria sendo traído pela esposa Rafaela Costa da Silva, que também é ex da vítima; os envolvidos estavam em processo de separação.
- Rafaela teria tido relação com Mario Vitorino, que era cunhado de Marcelly; o triângulo amoroso é alvo de controvérsias entre a acusação e as defesas.
- A investigação aponta que não houve premeditação nem triângulo amoroso entre os suspeitos, mas o MPP afirma que Igor foi morto por atrapalhar o relacionamento.
A manhã do crime
De acordo com a cronologia da Polícia Civil, Marcelly e Rafaela chegaram ao Residencial Vogue por volta das 4h32 de 31 de agosto de 2024. Por volta das 5h40, Rafaela deixou o apartamento, e Mario e Igor chegaram ao prédio cerca de 13 segundos depois. Às 5h44, eles entraram no elevador em direção ao apartamento de Marcelly, onde Igor foi morto pouco depois. Vinte minutos depois, às 6h04, Mario e Marcelly saíram e seguiram para o subsolo. Depoimentos divergem, mas a autoridade policial aponta uma discussão entre o trio e que Mário desferiu golpes que ceifaram a vida de Igor.
Veja: o material de imagens de arquivo e depoimentos que compõem a linha do tempo do crime. Em seguida, o trio viajou para o interior de São Paulo, incluindo Campos do Jordão, e vários deslocamentos ocorreram para tratar as roupas usadas no crime.
Após o homicídio, Marcelly e Mario seguiram caminhos diferentes com Rafaela, que mais tarde foi localizada no posto Olá, na Rodovia Carvalho Pinto. O trio chegou a Campos do Jordão e, em seguida, Marcelly retornou à Praia Grande, enquanto Rafaela e Mario seguiram para um hotel em Pindamonhangaba para trocar as roupas ensanguentadas.
Imagens da investigação mostram o andamento dos acontecimentos: motel, quarto onde o casal ficou, suíte de motel, veículo com manchas de sangue e outros indícios. Essas evidências ajudam a entender a logística do crime e a dinâmica entre os envolvidos.
Rafaela e Marcelly se apresentaram à polícia em 6 de setembro de 2024 e foram presas preventivamente. Mario foi localizado em 15 de setembro na casa de um tio de Rafaela, no interior paulista, e também ficou detido preventivamente. Rafaela foi solta em 17 de outubro, com decisão que reconheceu a ausência de materialidade para homicídio, mantendo-a sob detenção por possível favorecimento pessoal, decisão após recurso pela Promotoria não ser acolhida pela Justiça.
Encerramento e próximos passos
O caso continua em tramitação, com Marcelly tendo o júri previsto para o primeiro semestre deste ano; Mario ainda discute a participação no julgamento. Rafaela permanece com decisões de soltura mantidas pela Justiça, ainda que sob avaliação de sua possível participação como favorecimento. A defesa de cada ré oferece versões distintas dos fatos, recorrendo de decisões e buscando fechar o quadro probatório para cada julgamento.
Para entender o desfecho deste caso complexo, fique atento aos próximos capítulos dos julgamentos e às declarações das defesas, que prometem novos argumentos sobre as provas apresentadas pela acusação. A cobertura sobre o desmembramento do processo e as datas dos júris deve acompanhar as atualizações oficiais do TJSP e do MP.
Gostou desta cobertura? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre um dos casos de justiça mais comentados do litoral paulista nos últimos anos.

Facebook Comments