Vinte e oito anos após o Carnaval de Salvador ter sido marcado pelo Conde Draculino, o vampiro comedor, a criatura mitológica volta a protagonizar a folia baiana — agora na forma de uma mulher. A história junta memória e novidade, mantendo o tema vampírico como fio condutor da alegria na cidade.
Em 1998, foi unânime a participação na coreografia da música cantada por Durval Lelys com o Asa de Águia. Didático, o cantor ensinava ao público os passos da Dança do Vampiro, preparando o terreno para o folclore carnavalesco evoluir com o tempo.
Naquela época não havia a complexidade de coreografias vistas hoje. Para ser vampiro no fim dos anos 90 e início dos 2000, bastava seguir o ritmo: mexer o quadril, descer, subir, erguer as mãos e bater palma ao som do axé.
Hoje, para dançar no compasso do vampiro, o desafio é ter o tal “molho” baiano. A referência pode remeter ao lambão, mas, por tratar-se de vampiro, a melhor alusão é o tom pardo que colore a fantasia.
A música Vampirinha, de Ivete Sangalo para o Carnaval de Salvador, resgata a ousadia da época e mantém o clima de mordida no pescoço, com a pegada direta do pagode baiano que divide opiniões.
Para Durval, pioneiro na construção de personagens no Carnaval, o retorno do tema vampiro na voz de Ivete evidencia a continuidade do imaginário na folia. O cantor coloca a intérprete no “hall transilvânico baiano” das fantasias da festa.
“Eu estou muito feliz em saber que minha querida irmã Ivete lançou uma música nesse estilo. Ela é uma vampira daquelas que a Transilvânia inveja. Eu sou o Conde Draculino, então me sinto lisonjeado em saber que a nossa lei de vampiros está aumentando”, declarou Durval com bom humor.


A faixa de Ivete tem uma coreografia mais elaborada do que a Dança do Vampiro, criada pela cantora em parceria com Jnr Beats, Luciano Chaves e Samir Trindade. O tema gerou críticas pela ousadia e pela sensualidade que imprime à folia.
Para parte do público, a música inspira fantasias no Carnaval; para outros, a ousadia é excessiva. Durval relembra que o Carnaval é espaço de liberdade criativa e destaca a chance de levar diferentes fases da carreira aos palcos, mantendo o folclore vivo.
O cantor costuma brincar com os figurinos para manter a tradição viva fora de fevereiro, trocando de fantasia e permitindo que o público viva cada era de sua trajetória artística.
Para 2026, ainda sem tema oficial divulgado, Durval aposta na canção Sapo Folião, em parceria com Carla Cristina. Ivete, por sua vez, deve manter o vampirismo como eixo, enquanto Léo Santana e Claudia Leitte também devem anunciar novidades em breve.
Nesta linha, Claudia Leitte, com o projeto Especiarias, também deve levar para a avenida o mote do disco, e, nos próximos dias, espera-se que outros artistas da folia baiana divulguem seus temas oficiais para a festa.
O panorama mostra como o Carnaval de Salvador continua a cultivar a fantasia como motor da cidade, unindo memória e inovação para cada edição.
E você, como tem acompanhado as apostas para o Carnaval 2026 na sua cidade? Compartilhe nos comentários suas expectativas, as fantasias que mais gosta e como a folia pode ganhar novos ares neste ano.

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