Centrão indicou maioria do TCU, que agora julgará liquidação do Master

TCU deve fiscalizar liquidação do Banco Master; maioria dos ministros é ligada ao Centrão

A atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master ficará sob a lupa do Tribunal de Contas da União (TCU). A maior parte dos ministros indicados pelo Centrão no Congresso Nacional integra a Corte, alimentando a percepção de influência política no processo. Parte desses integrantes é vista como próxima ao empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição.

Constituição brasileira estabelece que seis ministros do TCU são escolhidos pelo Congresso e três pelo presidente da República, o que ajuda a entender o perfil político dominante na Corte hoje. O presidente do TCU é Vital do Rêgo, ex-senador pelo MDB da Paraíba, indicado ao tribunal em 2014 e eleito presidente da Corte no fim de 2024. Ele é irmão do senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), aliado do presidente Lula.

Em 12 de janeiro, o presidente da Corte afirmou que o BC concordou com a inspeção do TCU e dará acesso aos documentos relacionados à liquidação do Banco Master.

“Ela (a inspeção) já está acontecendo, pela reunião que fizemos hoje (12/1). Definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos do Banco Central que foram base para o processo liquidatório – que só quem poderia liquidar era o Banco Central –, que estão à disposição já a partir de hoje. Nós temos um calendário que será ajustado pelas unidades técnicas”, informou o presidente do TCU

O ministro acrescentou que “o ato de liquidação é administrativo e regulatório”. “É um modelo técnico que o TCU está acostumado a fazer”, completou.


Quem são os ministros do TCU

  • Walton Alencar Rodrigues, indicado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999;
  • Benjamin Zymler, indicado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001;
  • Augusto Nardes, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2005;
  • Aroldo Cedraz, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2007;
  • Vital do Rêgo Filho, indicado pelo Senado Federal, em 2014;
  • Bruno Dantas, indicado pelo Senado Federal, em 2014;
  • Jorge Oliveira, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020;
  • Antonio Anastasia, indicado pelo Senado Federal, em 2022;
  • Jhonatan de Jesus, indicado pela Câmara dos Deputados, em 2023;

Os nomes do Centrão no TCU

O ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal pelo Republicanos de Roraima, assumiu o cargo no TCU em novembro de 2023. Filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), a indicação dele foi apresentada pela liderança do partido na Câmara. A articulação política para escolhê-lo teve o apoio direto do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Antes dele, entrou Antonio Anastasia, em 2022, a partir de indicação do Senado. Anastasia já foi governador e senador por Minas Gerais e, historicamente, integrou a cúpula do PSDB. Um dos seus principais aliados foi o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG); antes de assumir o cargo no TCU, Anastasia trocou o PSDB pelo PSD.

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BANCO MASTER

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Ainda no âmbito do TCU, Cedraz tomou posse em 2007, vindo da Câmara dos Deputados. Augusto Nardes ingressou no TCU em 2005, após mandatos como deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul. Em 2026, deverá ocorrer uma nova indicação para o TCU, com disputa entre Odair Cunha (PT-MG) — que tem bom trânsito entre o Centrão e deve contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) — e Danilo Forte (União Brasil-CE).

As informações sobre o TCU destacam a presença de um bloco parlamentar forte na composição da Corte e indicam que a fiscalização da liquidação do Banco Master tende a seguir linhas institucionais e políticas, com participação expressiva de representantes ligados ao Centrão.

Se você acompanha a política fiscal e o papel do TCU nos atos da União, deixe aqui seus comentários sobre como essa composição pode influenciar decisões futuras relacionadas à liquidação do Banco Master e à atuação do BC.

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Em resumo, a atuação do TCU na liquidação do Banco Master envolve uma combinação de aspectos legais, institucionais e políticos, com forte presença de nomes alinhados ao Centrão. A expectativa é de que o tribunal prossiga com a análise técnica, mas sob influências que refletem o cenário político atual da Câmara, do Senado e do Palácio do Planalto.

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