Desde que chegou ao Brasil, o treinador português Abel Ferreira acumula títulos, vitórias, críticas e alguns vexames. O episódio mais recente, uma derrota por 4 a 0 para o Novorizontino na quarta rodada do Paulistão de 2026, reacende o debate sobre o tamanho do seu legado no futebol brasileiro.
Antes dessas surpresas negativas, Abel já havia conquistado grandes feitos: três finais de Libertadores e dois títulos, além de dois campeonatos brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana, uma Recopa do Brasil e três Campeonatos Paulistas. Esses números o colocam entre os treinadores que moldaram a história recente do Palmeiras.
Se compararmos com grandes nomes brasileiros, como Telê Santana e Felipão, os números de Abel guardam semelhanças: Telê foi campeão brasileiro duas vezes, Libertadores duas vezes, além de duas Recopas Sul-Americanas e seis estaduais. Já no Brasil atual, Abel divide o palco com outros ícones do clube e da região.
No contexto mundial, o brasileiro tem vantagem nos títulos mundiais (dois) sobre Telê e Abel, porém é preciso lembrar que eram tempos diferentes. Abel e o Palmeiras participaram de três mundiais, com a distância entre épocas sendo um fator relevante para qualquer comparação direta com o cenário de hoje.
As derrotas também marcam a passagem de Abel pelo Palmeiras. Em 2020, houve a queda diante do Tigres do México; em 2021, houve uma derrota que quase levou aos pênaltis contra o Chelsea, ainda que tenha sido decidido por detalhes nos minutos finais. Em 2025, o time caiu nas quartas para o mesmo Chelsea, sinal de que os resultados nem sempre acompanham o discurso.
Quanto à Copa do Brasil, o time tem passado por momentos de dificuldade, com eliminações em casa para CRB e Corinthians. Isso alimenta a percepção de que o Palmeiras, mesmo com uma mentalidade “copeira” que venceu viradas importantes, às vezes deixa a desejar nas fases decisivas.
Não é incomum comparar a gestão de Abel com a de outros técnicos históricos. Felipão, por exemplo, também enfrentou críticas profundas em momentos de piora de rendimento, o que demonstra que cobranças a treinadores experientes costumam acompanhar resultados em clubes de grande tradição.
Sob o comando de Abel, o Palmeiras manteve o mínimo de consistência ao longo dos anos: em Libertadores, o time chegou às semifinais em várias campanhas; no Brasileirão, ficou entre os três primeiros em boa parte das edições analisadas, com flutuações de desempenho ligadas a mudanças no elenco e em planos técnicos.
Abel Ferreira aparece entre os treinadores mais vitoriosos do Palmeiras em números absolutos. Em termos de títulos, ele já ocupa a dianteira, empatando com Osvaldo Brandão em 10 títulos. Outros ícones como Vanderlei Luxemburgo (8), Ventura Cambon (7) e Luiz Felipe Scolari (6) aparecem logo atrás nessa disputa histórica pelo protagonismo do clube.
No vínculo com a imprensa e com os jogadores, Abel costuma despertar críticas quando os resultados não ajudam. Falações públicas que sugerem ingratidão do torcedor, cobranças por apoio em momentos difíceis e comentários sobre escolhas dos atletas, como quando mencionou que o atacante Flaco López “esqueceu de fazer o que estava fazendo”, são apontadas como sinais de uma relação tensa entre o treinador, o elenco e a torcida. Mesmo assim, o elenco, em geral, demonstra respeito pela qualidade de trabalho dele, ainda que haja ruídos na comunicação.
O retrato de Abel, portanto, é o de um técnico com confirming histórico de sucesso, capaz de manter o Palmeiras competitivo em várias frentes, mas que também coleciona críticas por lapsos de postura e por alguns momentos de instabilidade dentro de campo. O desafio é equilibrar resultados com gestão de grupo e comunicação, mantendo o clube entre as primeiras posições e as conquistas que já fazem parte da memória do torcedor.
E você, o que acha do caminho percorrido por Abel Ferreira no Palmeiras? Concorda com a avaliação de que os resultados falam mais alto que as controvérsias ou acredita que as críticas à gestão do técnico têm fundamento? Conte nos seus comentários como vê a trajetória dele e o futuro do clube na temporada.

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