O Brasil continua a figurar no topo do ranking de violência contra pessoas trans e travestis em 2025, segundo o dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA): foram 80 assassinatos. Embora esse número represente uma queda de cerca de 34% em relação a 2024, quando houve 122 crimes, o país permanece como o mais letal do mundo para esse grupo há quase 18 anos. Bruna Benevides, presidente da ANTRA, afirma que os dados revelam uma opressão que não se resume a casos isolados, mas a uma violência estrutural que atinge essas pessoas desde muito jovens.
Número de pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil ao longo dos últimos 16 anos
Gráfico: ANTRA
Estatísticas de violência Em 2025, a ANTRA aponta 257 mortes violentas entre LGBT+, incluindo 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e 16 casos por outras causas. Em relação a 2024, houve queda de 11,7% (de 291 para 257), mas o Brasil continua no topo do ranking mundial. A cada 34 horas, uma morte é registrada no país.
Geograficamente, a violência permanece concentrada: o Nordeste registrou 38 assassinatos, enquanto Ceará e Minas Gerais aparecem com oito mortes cada. São Paulo é o estado mais letal no período de 2017 a 2025, com 155 mortes. A maioria das vítimas são travestis e mulheres trans jovens, entre 18 e 35 anos, principalmente negras ou pardas.
Apesar da redução em 2025, houve aumento das tentativas de homicídio, o que indica que a violência não recuou de fato. O dossiê aponta fatores como subnotificação, descrédito nas instituições de segurança e justiça, retração da cobertura midiática e ausência de políticas públicas específicas para enfrentar a transfobia — crime de preconceito, discriminação e hostilidade contra pessoas transgênero.
Políticas públicas Além do diagnóstico, o dossiê apresenta recomendações voltadas ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança pública e às instituições de direitos humanos, buscando diálogo e propostas concretas para romper com a impunidade e a escassez de medidas que afetam pessoas trans no Brasil.
Bruna Benevides afirma que o relatório “constrange o Estado”, informa a sociedade e rompe com o silêncio. Ela destaca a necessidade de reconhecer que as políticas de proteção às mulheres devem estar acessíveis às mulheres trans, ampliar a produção de dados e superar falhas na atuação de tomadores de decisão.
A nona edição do Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras será apresentada em cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, com entrega oficial a representantes do governo federal.
Mortes violentas Os dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) reforçam o cenário: em 2025 foram documentadas 257 mortes violentas entre LGBT+. São 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e 16 outras causas. O Brasil segue como o país com maior número de homicídios e suicídios de LGBT+ no mundo, seguido pelo México (40) e pelos Estados Unidos (10).
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