Uma entrevista inédita com o que ficou conhecido como Careca do INSS traz à tona relatos sobre supostas relações entre o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes e familiares do presidente Lula. O ex-funcionário, que pediu sigilo por questões de segurança, enviou respostas por escrito à coluna na última semana.
Segundo o depoimento, Antonio Camilo Antunes teria mantido contato frequente com fornecedores e parceiros, chegando a mencionar o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O ex-funcionário descreveu uma mesada de 300 mil e a antecipação de 25 milhões (moeda não especificada) para projetos ligados ao Amazonas e ao teste de dengue, em conversas em reuniões de diretoria.
O relato também aponta que Antonio descrevia o próprio filho do presidente como possível sócio oculto em negócios de saúde com o governo federal, incluindo operações ligadas à cannabis. O material sustenta que o Lulinha poderia ter participação indireta em contratos com o Ministério da Saúde.
Ainda em relação a Lulinha, a testemunha confirmou o depoimento dado à Polícia Federal sobre uma suposta mesada destinada ao filho do presidente. “Antonio me disse que pagava uma mesada de 300 mil e que antecipou 25 milhões (moeda não especificada) em função do Projeto Amazônia e do Projeto Teste de Dengue”, descreveu o ex-funcionário.
A Polícia Federal identificou, entre mensagens do lobista e outra funcionária, uma transferência de 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, com a justificativa de pagar “o filho do rapaz”. Roberta é apontada pela PF como núcleo político do Careca do INSS. A defesa dela afirma que as tratativas se restringiam a negócios de canabidiol e que não houve envolvimento na fraude do INSS.
A investigação também mostrou que, em 2024, o Careca do INSS esteve no Ministério da Saúde cinco vezes, apresentando-se como diretor de uma empresa de telemedicina; em 2025, atuou como presidente da World Cannabis, empresa de maconha. Roberta e Antonio teriam viajado juntos, em novembro de 2024, de Guarulhos a Lisboa, acompanhando Lulinha em viagem internacional.
Novas mensagens obtidas pela PF revelam que o Careca do INSS enviou, em dezembro de 2024, um suposto “medicamento” para o apartamento de Lulinha em São Paulo, endereçado a Renata Moreira, esposa de Lulinha. Fábio Luís negou qualquer relação de proximidade com Antonio e afirmou desconhecer o assunto.
A coluna também informou que Lulinha estaria ligado a parcerias na área da saúde com o governo federal, inclusive envolvendo cannabis. Em nota, a defesa de Roberta afirmou que as tratativas não prosperaram e que ela não tem ligação com a fraude do INSS. A íntegra do depoimento escrito pelo ex-funcionário foi publicada pela coluna.
A reportagem aponta ainda que as ligações entre o lobista e o círculo próximo ao presidente indicam potencial envolvimento com negócios da saúde que, segundo a PF, precisariam de apuração adicional. Movimentos e encontros registrados ao longo de 2024 e 2025 compõem o quadro das investigações em curso.
Veja a galeria de imagens associadas às reportagens da Metropoles sobre o caso, com registros da CPMI do INSS e dos envolvidos. A íntegra do depoimento está disponível ao final desta reportagem.
Galeria de imagens





Essa é a primeira entrevista dada pelo ex-funcionário do Careca do INSS à imprensa. A coluna esteve com a testemunha na última semana, com o nome preservado por questões de segurança.
Para além do conteúdo, o ex-funcionário enviou as respostas por escrito, que estão reproduzidas na íntegra ao fim desta reportagem.
Atenção: a partir de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos é Donald Trump.
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