Justiça considera inconstitucional referência a Deus em sessões da Assembleia Legislativa da PB

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo SEO: A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) perdeu respaldo jurídico para um dispositivo de seu Regimento Interno que previa invocação religiosa na abertura das sessões. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) declarou inconstitucional o trecho que obrigava o presidente a iniciar as sessões com a frase “Sob a proteção de Deus e em nome do povo paraibano, declaro aberta a presente sessão” e a manter a Bíblia Sagrada sobre a mesa diretora durante o Pequeno Expediente.

A decisão foi proferida em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). A acusação argumenta que a prática viola princípios constitucionais como laicidade, liberdade religiosa, igualdade, impessoalidade e neutralidade do poder público em relação às crenças religiosas.

No julgamento, a relatora, desembargadora Fátima Bezerra, votou pela improcedência inicial, mas reconsiderou após o voto do desembargador Ricardo Vital. A maioria seguiu o entendimento de que a norma fere a laicidade ao privilegiar uma crença específica e impor símbolos religiosos no funcionamento do Legislativo.

Houve divergência entre os integrantes. Os desembargadores Aluízio Bezerra e Onaldo Queiroga votaram contra a maioria, destacando o caráter histórico e cultural da prática e a predominância de católicos na população. O desembargador Abrão Lincoln abstive-se.

Com o veredito, o dispositivo que previa a invocação religiosa e a presença da Bíblia deixa de ter validade jurídica. O presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos), anunciou que vai recorrer da decisão. A procuradoria da ALPB já prepara o recurso, mas afirmou que não entrará no mérito da matéria neste momento; a ideia é cumprir ou recorrer conforme o andamento do processo.

A decisão reforça a necessidade de manter a neutralidade do Legislativo diante de crenças religiosas, destacando o papel da laicidade do Estado. A notícia foi divulgada pelo TJPB e pelo G1, marcando um precedente relevante para a atuação da região.

Deixe sua opinião nos comentários: você acredita que rituais ou símbolos religiosos devem fazer parte da abertura de sessões, ou a neutralidade do Estado deve prevalecer? Compartilhe sua visão.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Pastor analisa Yom Kippur e mostra como a data aponta para Jesus

Resumo Jornalístico Yom Kippur, Dia da Expiação, é a data mais sagrada do calendário judaico, que ocorre entre 20 e 21 de setembro. Em...

Frederico Matschulat: o pentecostalismo esquecido na história brasileira (Parte 1)

Resumo Trajetória de Friedrich Matschulat (1879-1976), uma das...

Impactos do sétimo mandamento: ‘Não furtarás’ na ética e na lei

Obrigado pelas instruções detalhadas. No entanto, o texto fornecido não descreve um fato jornalístico (sem dados de local, data, pessoas envolvidas, nem evento)....