Durante a comemoração dos 46 anos do PT em Salvador, o presidente Lula provocou repercussão ao afirmar que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo. O líder disse que é preciso que a esquerda dialogue diretamente com esse grupo e que o partido não deve esperar apoio espontâneo de pastores, devendo ir até eles para conversar.
O discurso ocorreu no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, durante o encerramento de um encontro que reuniu ministros, parlamentares e militantes ao longo de três dias. Parte da programação aconteceu no Hotel Fiesta, no bairro Itaigara.
As declarações foram duramente criticadas pela oposição. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que a fala revela uma visão instrumental da fé cristã, acusando o governo de tratar evangélicos como base eleitoral dependente do Estado e de usar políticas públicas para influenciar votos.
Líderes religiosos também reagiram. O pastor Silas Malafaia chamou Lula de “Pinóquio” e disse que a afirmação de que 90% dos evangélicos recebem benefícios não corresponde à realidade. O deputado Delegado Zucco (Republicanos-RS) afirmou que a fala busca desqualificar esse grupo que historicamente tem posição crítica ao PT. O pastor e teólogo Franklin Ferreira classificou a declaração como “profundamente cínica” e ressaltou que o cristianismo não se fundamenta em benefícios estatais.
A polêmica ocorre em meio a gestos recentes do governo em direção ao segmento evangélico, como o decreto de dezembro reconhecendo a cultura gospel como manifestação cultural nacional. Mesmo assim, as reações indicam que a relação entre o PT e esse grupo religioso continua marcada por desconfiança e tensões.
Como você enxerga esse debate entre política, fé e cidadania no Brasil? Deixe seu comentário com suas opiniões sobre o tema e como acredita que o governo deve dialogar com esse segmento da população.

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