Resumo: Em 1969, a ditadura militar foi obrigada a interromper a leitura na televisão de um manifesto da esquerda armada que pedia a libertação de presos políticos em troca da vida do embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio. Cinquenta e sete anos depois, sem ditadura, sem prisões políticas e sem censura, o Brasil viu, novamente pela TV, a leitura de um manifesto da esquerda, desta vez apresentado como letra de uma escola de samba.
Este carnaval é lembrado como símbolo da democracia em funcionamento. A ditadura foi sufocada entre 1964 e 1985 no contexto do combate ao comunismo. A direita torceu para que a Justiça proibisse o desfile da Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem a Lula ao contar sua história. Lula beijou a bandeira da escola ao final da apresentação, chegou em silêncio ao Sambódromo do Rio, recusou-se a falar com jornalistas e, no carro, Janja abandonou o posto, sendo substituída pela cantora Fafá de Belém. A Globo fez uma cobertura protocolar do evento.
O que chamou mais atenção foi a Comissão de Frente, com um figurante que simulava Michel Temer tomando a faixa presidencial de Dilma Rousseff e entregando-a a Bolsonaro, fantasiado de Bozo. A escola também fez críticas à direita com fantasias de “conservadores em conserva” e destacou Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos desde janeiro de 2025 — com roupas que faziam alusão ao Mickey, da Disney. Parte dos foliões da frisa do Setor 11 protestou virando as costas para o desfile.
Do ponto de vista político, o carnaval, até aqui, é visto como marco para Lula e a esquerda. Em Belo Horizonte, cerca de 200 foliões, reunidos por grupos conservadores, saíram com o “Bloco da Anistia”, cantando o Hino Nacional em ritmo carnavalesco. A Acadêmicos de Niterói não é páreo para as grandes escolas: subiu ao Grupo Especial porque uma grande escola caiu no ano anterior, devendo, em tese, ser rebaixada, mas não por ter exaltado Lula.
Este carnaval demonstra, portanto, o papel cada vez mais presente da esquerda na festa, com desfiles que misturam política e cultura popular e refletem debates sobre democracia e liberdade de expressão, conforme as leituras de comentaristas de diferentes regiões.
E você, qual a sua leitura sobre esse momento do Carnaval e o papel da política na festa? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa, dizendo o que achou das leituras apresentadas e das mudanças observadas no desfile.

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