Antes de Daniela, Carnaval de Salvador já teve liminar para definir ordem de desfile de trios; decisão foi caçada

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A atitude de Daniela Mercury para conseguir desfilar em primeiro lugar na fila de trios no circuito Dodô (Barra-Ondina) não foi algo inédito no Carnaval de Salvador.

De acordo com Israel Mizrach, membro fundador da Associação de Blocos da Barra, nos anos 80, um bloco conseguiu na Justiça uma liminar para desfilar em primeiro lugar no Campo Grande.

Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, Mizrach relembrou o episódio envolvendo o bloco Futuca.

“A única vez que existiu uma liminar foi de um bloco chamado Futuca, de grandes amigos meus que foram ex-diretores do Bloco Beijo, o que aconteceu, eles entraram com a liminar para o Bloco Futuca sair o primeiro lugar na fila, e realmente no primeiro dia esse bloco saiu no primeiro lugar da fila do Campo Grande. Foi inédito, a única coisa que aconteceu. Mas essa liminar depois foi caçada e não prevaleceu.”

Para o carnavalesco e “bloqueiro”, a atitude de Daniela Mercury no Carnaval de 2026 não foi algo visto com bons olhos pela comunidade.

“Eu não posso julgar, não estou aqui para julgar, mas tipo assim se houve essa coisa que a Malu fala de empurrarem ela mais para trás na fila, eu acho que é uma coisa que pode ser conversada e ajustada. Agora, não acho que o melhor caminho seja através de um liminar, porque o Carnaval da Bahia, com todas as diferenças de uma entidade para outra, de um empresário para o outro, podia um não gostar da forma como o outro trabalhava, um era mais agressivo, o outro talvez não gostava disso, mas, de uma forma ou de outra, sempre houve o diálogo. Sempre existiu a associação de blocos de trio, que eles iam pra lá, quebrava o pau, mas sempre sentamos e conversamos.”

Mizrach ainda defendeu a ordem atual, pontuando que Bell Marques, por exemplo, um dos críticos da atitude de Daniela Mercury, aceitou ocupar um espaço que não era desejado por outros artistas.

“Ninguém queria sair na Barra duas da tarde no sol quente, na cabeça, sem mídia, ninguém queria. E ele [Bell Marques] foi. Então eu acho que ele também tem direito. Foi uma opção, foi uma coisa, como o Bell sempre foi um artista, não que ele não dependesse da mídia ou não precisasse da mídia, todo artista precisa da mídia, mas ele tinha, e tem até hoje, está provado que independente de Carnaval, independente de mídia, independente de tudo, aonde ele vai, ele arrasta uma multidão então ele tinha essa confiança tinha essa segurança, então ele desceu pra Barra duas da tarde e foi permitido pela Prefeitura na época sem oposição de ninguém.”

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