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Uma viagem pela história da Academia e as estatuetas que ficaram no passado
- Por Jovem Pan
- 20/02/2026 01h41
Martin Vorel/Wikimedia Commons
As alterações nas categorias não pararam no século passado. A Academia continua ajustando os prêmios conforme a tecnologia avança.
A cerimônia do Oscar é o reflexo direto da evolução da indústria cinematográfica. Desde a primeira edição, em 1929, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas precisa se adaptar às novas tecnologias, tendências culturais e mudanças nos processos de produção. Com isso, diversas categorias que antes eram fundamentais tornaram-se obsoletas ou foram fundidas, criando uma lista fascinante de “prêmios extintos”.
Se hoje discutimos a criação de categorias para dublês ou elenco, no passado a Academia já premiou títulos de filmes mudos e assistentes de direção. Conheça as principais estatuetas que não fazem mais parte da festa mais importante do cinema.
Oscar juvenil (Academy Juvenile Award)
Talvez a mais famosa e adorada entre as categorias extintas, o Oscar Juvenil (ou “Prêmio Juvenil da Academia”) foi uma honraria especial entregue entre 1935 e 1961. O objetivo era reconhecer o talento de atores menores de 18 anos sem forçá-los a competir diretamente com veteranos adultos nas categorias principais de atuação.
O grande diferencial deste prêmio era o seu formato: os vencedores não recebiam a estatueta de tamanho padrão, mas sim uma miniatura do Oscar (com cerca de metade do tamanho original).
A primeira vencedora foi Shirley Temple, aos 6 anos, em 1935. Outros nomes lendários que receberam a pequena estatueta incluem Judy Garland (por O Mágico de Oz), Mickey Rooney e Hayley Mills (a última vencedora, em 1961). A categoria foi descontinuada quando a Academia percebeu que crianças poderiam competir de igual para igual com adultos, fato comprovado quando Patty Duke venceu o Oscar competitivo de Melhor Atriz Coadjuvante em 1963.
Melhor direção de dança
Durante a “Era de Ouro” de Hollywood, os musicais eram o gênero dominante e as coreografias eram tão complexas que exigiam diretores especializados apenas para os números musicais. Para honrar esses profissionais, a categoria de Melhor Direção de Dança foi criada em 1936.
A vida deste prêmio foi curta, durando apenas três anos (1936 a 1938). Coreógrafos lendários como Busby Berkeley e Hermes Pan (famoso parceiro de Fred Astaire) foram indicados ou premiados. A categoria foi extinta devido à pressão do Sindicato dos Diretores (DGA), que argumentava que a direção de cenas musicais era responsabilidade do diretor principal do filme.
Melhor assistente de direção
Hoje, o trabalho de um assistente de direção é vital para a logística e organização de um set, mas raramente é visto como uma função “artística” que exige premiação televisionada. No entanto, nos primeiros anos do sistema de estúdios (o studio system), os assistentes tinham um poder imenso sobre a produção diária.
A categoria existiu de 1933 a 1937. No primeiro ano, a Academia fez algo inusitado: premiou diversos assistentes de diferentes estúdios de uma só vez, como um reconhecimento técnico coletivo. Nos anos seguintes, tornou-se competitiva por filme, mas logo foi removida por ser considerada excessivamente técnica para o público geral.
Melhor entretitulagem (Best title writing)
Esta é uma relíquia exclusiva da primeira cerimônia do Oscar, realizada em 1929. Na era do cinema mudo, os cartões de texto que apareciam entre as cenas para explicar a história ou mostrar diálogos (chamados de intertítulos ou entretítulos) eram uma forma de arte essencial.
O prêmio de Melhor Entretitulagem reconhecia a criatividade e a eficácia desses textos. O único vencedor da história foi Joseph Farnham. Ironicamente, o cinema falado (os talkies) já estava surgindo e dominando o mercado naquele mesmo ano, tornando a categoria obsoleta imediatamente após sua estreia.
Melhor história original
Durante décadas, a Academia diferenciava a “ideia” do “roteiro final”. Por isso, existiam categorias separadas para Melhor Roteiro Original (quem escrevia as cenas e diálogos) e Melhor História Original (quem criava a trama base ou o argumento).
Filmes clássicos como Aconteceu Naquela Noite (1934) e Sr. Smith Vai a Washington (1939) venceram nesta categoria. Em 1957, a Academia decidiu simplificar o processo, fundindo o prêmio de História com o de Roteiro. Hoje, a estrutura é dividida apenas entre Roteiro Original e Roteiro Adaptado.
Curiosidades sobre as mudanças
As alterações nas categorias não pararam no século passado. A Academia continua ajustando os prêmios conforme a tecnologia avança:
- Efeitos de engenharia: Na primeira cerimônia (1929), o filme Wings (Asas) ganhou o prêmio de “Melhores Efeitos de Engenharia”, o “avô” da atual categoria de Melhores Efeitos Visuais.
- Comédia vs. Drama: Apenas na primeira cerimônia, o prêmio de Melhor Diretor foi dividido em dois: Melhor Diretor de Comédia (Lewis Milestone) e Melhor Diretor de Drama (Frank Borzage).
- Edição de som: Recentemente, em 2021, a categoria de Melhor Edição de Som foi extinta e fundida com Melhor Mixagem de Som. Agora, existe apenas uma categoria unificada chamada Melhor Som, que premia toda a equipe de áudio.
Onde assistir aos clássicos
Para entender o legado dessas categorias extintas, vale a pena conferir os filmes que marcaram essas épocas. Muitos estão disponíveis em serviços de streaming e aluguel digital no Brasil:
- O Mágico de Oz (1939): O filme que garantiu o Oscar Juvenil a Judy Garland. Disponível na Max (HBO Max).
- Asas (Wings, 1927): O vencedor de Efeitos de Engenharia e primeiro Melhor Filme da história. Disponível para aluguel na Apple TV+ e Prime Video.
- O Picolino (Top Hat, 1935): Apresenta o trabalho de Hermes Pan (indicado a Direção de Dança). Disponível para aluguel na Apple TV+.
Essas categorias, embora extintas, são peças fundamentais no quebra-cabeça da história do cinema. Elas nos lembram que a sétima arte é uma disciplina viva, que começou com cartelas de texto mudo e evoluiu para o som digital imersivo, sempre buscando novas formas de reconhecer a excelência técnica e artística.

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