Quatro anos de guerra na Ucrânia chegam hoje (24/02/2026) sem sinal de fim. O conflito, iniciado com a invasão russa em 2022, permanece marcado por impasses que freiam as negociações de paz. Em 23 de fevereiro de 2022, Vladimir Putin anunciou a “operação militar especial” para proteger Donetsk e Luhansk, visando desmilitarizar e desnazificar a região do Donbass.
Segundo estimativas do CSIS, de fevereiro de 2022 a dezembro de 2025 houve altas perdas: cerca de 1,2 milhão de baixas russas e entre 500 mil a 600 mil no lado ucraniano. O balanço projetado aponta potencial de 2 milhões de vítimas até setembro de 2026 se o ritmo não mudar. Em território, a Rússia ocupou cerca de 75 mil km² (12% do país), e o Kremlin controla 120 mil km² (cerca de 20%), incluindo a Crimeia.
Conforme o mapa do Institute for the Study of War (ISW) de 19 de fevereiro, as tropas russas dominam as oblasts de Luhansk, Donetsk, Zaporizhzhia, Kherson e Kharkiv. Desde o início, encontros entre Kiev e Moscou ocorreram, com avanços pontuais em questões humanitárias, mas sem soluções para um plano de paz. A participação de Donald Trump na arena americana, desde janeiro de 2025, alterou o tom da mediação dos EUA.
Entre fevereiro e novembro de 2025 ocorreram mudanças significativas. Em Washington, Zelensky pediu garantias de segurança e não encontrou concessões de Kiev, enquanto Trump enfatizava tratativas diretas com Putin. Em novembro, uma proposta de paz dos EUA, apresentada a Zelensky, favorecia concessões a Moscou, mas, no mês seguinte, Zelensky detalhou uma versão com menos perdas para a Ucrânia. Em Genebra, as delegações russa e ucraniana, mediadas pelos EUA, encerraram as conversas em duas horas, com Zelensky classificando o debate como difícil e acusando a Rússia de tentar prolongar as negociações.
Especialistas analisam perspectivas para 2026. Guther Rudzit, da ESPM, acredita que é improvável um acordo neste ano, destacando a exigência russa de incorporar grande parte do Donbass. Gustavo Castro, do Uniprocessus, aponta questões estruturais — segurança regional, expansão da OTAN, identidade nacional ucraniana e ambições estratégicas russas — que exigem mecanismos robustos de verificação, ainda mais difíceis em um ambiente de guerra ativa. Já Rodrigo Medina, da Unifesp, ressalta que, mesmo com cessar-fogo, hostilidades devem continuar devido à irredundância de posições entre as partes.
Entre sinais de que as negociações podem evoluir, o acompanhamento aponta para a presença do chanceler Sergey Lavrov na delegação russa como indicador de zelo ou seriedade. Histórico recente, como os Acordos de Minsk (2014-2015), mostra que o caminho envolve garantias de segurança, fronteiras e autonomia regional — cláusulas que Moscou já declarou não reconhecidas desde 2022. O cenário permanece com alta desconfiança mútua e pouca margem para acordos rápidos.
Diante desse quadro, o conflito tende a se manter com oscilações de intensidade, até que haja mudanças substanciais no equilíbrio estratégico ou garantias de monitoramento efetivas. A situação exige avaliação contínua de fontes como CSIS e ISW, bem como a leitura de sinais procedentes de Washington, Moscou e Kiev. Como você lê o futuro da paz na Ucrânia em 2026? Compartilhe sua opinião e participe da conversa nos comentários abaixo.

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