Namorado de delegada do PCC presa queria “nova vida” em SP, diz defesa

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O namorado da delegada recém-empossada Layla Lima Ayub, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, foi preso em 16 de janeiro durante a Operação Serpens, que combate a presença de integrantes do crime organizado nas áreas de poder, segundo a defesa dele, ao Metrópoles.

Layla é apontada como tendo atuado como advogada para integrantes do Comando Vermelho no momento da posse, o que violaria o estatuto da advocacia e entes superiores, de acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Jardel possui histórico criminal. Em 2021, foi ligado à expansão do PCC no Norte do Brasil, progrediu para o regime semiaberto, mas foi preso novamente em 2023 após tentativa de fuga.

O MPSP informou que Jardel deixou Marabá, no Pará, sem autorização judicial, o que configura violação da liberdade condicional. A investigação aponta que ele buscaria morar com Layla em São Paulo; o casal foi preso junto em uma pensão.

A defesa de Jardel afirmou que ele pretendia se desvincular do passado para construir uma nova trajetória em São Paulo, onde Layla também vive e trabalha, descrevendo o objetivo como ressocialização.

“Como parte de seu processo de ressocialização, Jardel tinha a intenção de estabelecer residência e vínculos em São Paulo”, disse a advogada. Ela ressaltou que o processo contra Jardel está em segredo de justiça e envolve acusações de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de bens, sem comprovação nos autos até o momento.

A advogada negou que Jardel seja uma liderança do PCC responsável pela expansão da facção no Norte do Brasil, afirmando que as acusações são graves, mas ainda sem provas concretas. Ela afirmou que a defesa busca esclarecer o contexto completo da trajetória de Jardel e o “desejo genuíno de ressocialização”.

A defesa também alegou que Jardel deixou o Pará porque vinha recebendo ameaças à integridade física, buscando refúgio em outro estado. Segundo ela, a atuação até agora visa apenas a regularização jurídica da situação do réu, com foco na ressocialização.

Além disso, a advogada negou conhecimento de qualquer vídeo que mostre Jardel envolto com o crime organizado. A defesa afirma que conteúdos divulgados pela imprensa são baseados em especulações sem base factual robusta.

O Metrópoles não localizou a defesa de Layla Lima Ayub para comentário, e o espaço destinado ao tema permanece aberto para novas informações.

Entenda o caso

  • Layla, recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, e o namorado Jardel foram presos em 16 de janeiro, pela Operação Serpens, que combate a presença de integrantes do crime organizado nas instituições de poder.
  • Anteriormente, em dezembro, Jardel havia passado pela Academia da Polícia Civil (Acadepol) para a posse da namorada como delegada.
  • Layla é acusada de ter atuado como advogada para integrantes do Comando Vermelho, o que contraria o estatuto da advocacia e envolve o entendimento do STF.
  • O Ministério Público de São Paulo aponta que Layla manteve vínculos com integrantes da facção criminosa, ainda que ela tenha defendido o CV, o que complica a narrativa.
  • Jardel tem histórico de envolvimento com o crime organizado; em 2021 foi apontado pela expansão do PCC no Norte, avançando para o semiaberto, e foi recapturado em 2023 após fuga.
  • Conforme o MPSP, Jardel deixou Marabá sem autorização, e a investigação indica que ele planejava mudarse definitivamente para São Paulo para viver com Layla; o casal foi detido em uma pensão.

“Nova trajetória em São Paulo”

Tainara Arantes informou ao Metrópoles que, antes de ser preso, Jardel tinha o objetivo de se desvincular do passado no Pará e construir uma nova trajetória na capital paulista, onde se estabeleceu e buscou meios para sua ressocialização.

“Como parte de seu processo de ressocialização e buscando construir uma nova vida, Jardel Neto Pereira da Cruz tinha a intenção de estabelecer residência e futuros vínculos em São Paulo, onde sua companheira também vive e possui seu trabalho”, declarou.

Na capital paulista, o casal era visto como alguém que planejava abrir um negócio; chegaram a discutir a compra de uma padaria na zona leste, mas a operação levantou suspeitas de lavagem de dinheiro, segundo o MPSP e a Corregedoria da Polícia Civil.

Questionada sobre a possível negociação, a defesa afirmou que informações sobre investimentos são especulativas e que qualquer ato comercial seria parte de um esforço legítimo de ressocialização e de busca por trabalho lícito.

A advogada também negou qualquer elo de Jardel com o crime organizado, ressaltando que as acusações são graves e carecem de provas concretas até o momento, com o processo em segredo de justiça.

Ela apontou que o caso envolve organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de bens e valores, e afirmou que Jardel goza de presunção de inocência, com a defesa trabalhando para reverter as narrativas veiculadas pela imprensa como especulações infundadas.

O Metrópoles ainda não conseguiu localizar a defesa de Layla Lima Ayub para comentário, e o tema permanece sem resposta oficial até o fechamento deste texto.


Nova trajetória em São Paulo: galeria de imagens

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