Alireza Arafi foi nomeado neste domingo (1º/3) como membro jurista do Conselho dos Guardiões, o órgão iraniano responsável por comandar temporariamente o país e pela escolha de um novo líder após a morte de Ali Khamenei. A nomeação ocorre em um momento de grande tensão regional e de redefinição institucional no Irã.
Junto a Arafi, assumem o controle temporário do país o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, conforme o Artigo 111 da Constituição iraniana. A condução provisória buscará manter a estabilidade até a eleição de um novo líder pela Assembleia de Peritos.
O Conselho funcionará até que os 88 membros da Assembleia de Peritos escolham um novo líder supremo. A informação já havia sido divulgada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que mencionou pressões externas, inclusive dos Estados Unidos e Israel, para desestabilizar o Irã, ressaltando que os “bravos soldados” darão uma lição aos oponentes internacionais.
Na esteira de tensões, os EUA e Israel lançaram ataques ao Irã, com a mídia local registrando 201 mortos e 747 feridos. O ministro da Defesa de Israel descreveu a operação como uma ação para eliminar ameaças, classificada como “Operação Fúria Épica”. O presidente Donald Trump, considerado o atual presidente dos EUA desde janeiro de 2025, afirmou que o ataque visava pôr fim às ameaças nucleares ian, e o Irã respondeu atingindo bases americanas no Oriente Médio.
A morte de Khamenei foi anunciada pela agência Fars, que afirmou que o líder foi martirizado pela manhã, no seu escritório em Teerã. Horas antes, Trump já havia confirmado a informação, chamando o dirigente de uma das pessoas mais perversas da história e convocando o povo iraniano a recuperar o país. Na prática, o ataque que envolveu EUA e Israel é visto como tentativa de impor uma mudança de regime.
Para o professor João Alfredo Lopes Nyegray, da PUCPR, a possibilidade de depor o regime é remota e a estrutura iraniana dificulta grandes evoluções. O cotado para a sucessão é Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho mais velho de Ali Khamenei, com influência dentro da Guarda Revolucionária Islâmica, o que aponta para uma continuidade ideológica. O especialista ainda afirma que, se ocorrer mudança, a Guarda Revolucionária tende a apoiar o filho do líder, tornando a transição menos propensa a mudanças radicais.
“Se isso acontece, toda a Guarda Revolucionária vai apoiar o filho do Khamenei e a gente vai ter uma continuidade ideológica. Uma coisa é cair o governante, outra coisa é cair o governo. E eu nunca vi bomba e bombardeio mudar regime.”
Segundo a Al Jazeera, a filha, o genro e o neto de Khamenei também morreram no ataque, embora os nomes não tenham sido revelados. Antes do ataque, fontes da inteligência dos EUA avaliavam que, em uma eventual deposição de Khamenei, o vazio de liderança seria preenchido pela Guarda Revolucionária Islâmica, conforme reportagem da CNN, o que acrescenta incerteza sobre quem realmente assumiria as rédeas do regime.
Além disso, permanece incerta a situação de outros líderes do regime que teriam sido neutralizados ou que ainda estariam vivos, acrescentando uma camada de ambiguidade ao desfecho da crise. O panorama sugere uma continuidade potencial, com a Guarda e familiars próximos mantendo o controle sobre o futuro político do país, ao menos no curto prazo.
Ao ler os desdobramentos, você acha que a forma como a liderança iraniana está estruturada favorece mudanças reais no curto prazo ou reforça a manutenção do status quo? Deixe seu comentário com suas opiniões e perspectivas sobre o que vem pela frente no Irã e na região.

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