Senado aprova acordo Mercosul-UE; Brasil mira ganhos e vigilância contínua
Em votação simbólica e com apoio unânime, o Senado aprovou o projeto que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia. O acordo prevê a redução de tarifas de importação para diversos setores, com um cronograma de desoneração de até 18 anos para produtos comercializados entre a América do Sul e a Europa.
O texto já havia sido aprovado pela Câmara e, agora, segue para promulgação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou o resultado, e os senadores aplaudiram a decisão que acelera a criação do novo bloco comercial.
O acordo envolve cerca de 700 milhões de pessoas e mais de 22 trilhões de dólares em PIB, configurando a maior zona de livre comércio do mundo e sinalizando o nascimento de um novo eixo global. Pela primeira vez, Norte e Sul se sentam à mesa em igualdade, oferecendo uma alternativa à bipolarização entre Estados Unidos e China. O governo brasileiro aponta que o principal ganho será para o Brasil, com mais produtos nacionais entrando no mercado europeus a preços competitivos.
Dados do Siscomex mostram que a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com cerca de 100 bilhões de dólares em comércio de bens (aproximadamente 518 bilhões de reais) e um leve saldo favorável aos europeus em 2025. As exportações brasileiras para a UE em 2025 tiveram foco na indústria de transformação, com 47,4% do valor total, incluindo aeronaves, motores, químicos, equipamentos elétricos, autopeças, polímeros plásticos, medicamentos e máquinas. A indústria extrativa ficou com 29% e a agropecuária, 22,8% do total, destacando café em grão, farelo de soja, minérios de cobre, frutas, carnes salgadas, óleos essenciais, estanho e joias.
Na abertura da discussão, a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), informou que o governo confirmou a publicação, ainda nesta quinta-feira, do decreto que regulamenta as salvaguardas brasileiras previstas no acordo, com vigência a partir de segunda-feira. Ela destacou que a medida busca manter equilíbrio entre setores, especialmente para o agronegócio, diante de ajustes feitos no texto.
Ao final da leitura do relatório, a senadora observou que o Brasil está diante de uma encruzilhada histórica: atuar ativamente na conformação da nova ordem internacional ou se manter apenas como espectador. Ela ressaltou que o Congresso deve continuar vigilante, com diálogo permanente entre o setor produtivo e a sociedade civil, em coordenação com o Executivo, para transformar as negociações em prosperidade, empregos, inovação e inclusão.
E você, o que acha do acordo entre Mercosul e União Europeia? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo sobre como esse acordo pode impactar a economia local, empregos e inovação.

Comentários do Facebook