Operação Shadowgun cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados contra um grupo suspeito de produzir e vender peças de armas de fogo feitas em impressoras 3D, conhecidas como armas fantasmas. A ação mira cinco integrantes da organização criminosa liderada por um engenheiro especializado em controle e automação. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 de busca e apreensão, com ações também no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Pará, Paraíba, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima.
Armas fantasmas é o termo usado para peças de armas de fogo produzidas com impressoras 3D sem numeração ou registro. A investigação aponta que o grupo divulgava projetos de armas e acessórios e que o líder, usando um pseudônimo na internet, testava e atualizava os projetos, além de explicar como ajustar impressoras e materiais para fabricar as peças. Ele também produziu um manual com mais de cem páginas com instruções detalhadas sobre como construir a arma em casa.
Além da divulgação, o grupo vendia peças e oferecia orientação para interessados em montar o armamento. As atividades eram financiadas com criptomoedas. O líder produziu carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres e vendia o material em uma plataforma de comércio online. Entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo; nos anos seguintes, as negociações ocorreram por outros canais na internet.
No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios, Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. A polícia investiga se o material foi parar nas mãos de organizações criminosas, como traficantes e milícias.
Durante a operação, agentes da 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) também cumpriram seis mandados de busca e apreensão no estado, em endereços ligados a compradores. As ações ocorreram no interior, na Região dos Lagos e em bairros da zona oeste da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.
Segundo as investigações, o grupo produzia e divulgava projetos de armas e acessórios por meio de redes sociais, fóruns da internet e na chamada dark web, criando uma rede clandestina de produção e circulação de armas sem registro. O principal produto era uma arma semiautomática feita com peças plásticas impressas em 3D e outros componentes não regulamentados.
A investigação é conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ). Ao todo, cinco integrantes foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
A divulgação de detalhes do caso levanta questões sobre a circulação de armas não registradas e a atuação de redes digitais na fabricação e distribuição de armamento de baixo custo. O que você pensa sobre esse tema e seus impactos na segurança pública? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como você enxerga a atuação de criminosos nesse tipo de tecnologia.

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