A operação Fim da Fábula, deflagrada pelo Departamento de Investigações Criminais de São Paulo (Deic) com apoio do Ministério Público, revelou uma rede de estelionato digital que movimentou cerca de 100 milhões de reais ao longo de cinco anos, atuando em diversas regiões do país. A investigação indica que o grupo possuía uma estrutura hierárquica consolidada, capaz de operar em várias frentes de golpes, com atuação que alcançou dezenas de imóveis, veículos e operações financeiras sob controle de laranjas e empresas de fachada. No total, foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão, 53 prisões temporárias, e houve o bloqueio judicial de até 100 milhões de reais em 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.
A operação envolveu cerca de 400 policiais civis e promotores, com ações simultâneas em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) destacu que, além dos alvos identificados, havia um amplo espectro de pessoas conectadas ao esquema, incluindo figuras públicas ligadas ao meio musical, que chamaram atenção pela visibilidade nas redes sociais e pela capacidade de atrair vítimas em larga escala. Entre os investigados, destaca-se João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, apontado como participante da empreitada criminosa. O artista acumula milhões de seguidores nas redes sociais e já se tornou tema de cobertura extensa pela imprensa.



Entre as evidências apresentadas, a polícia civil destacou que o grupo realizava golpes em grande escala, explorando técnicas de engenharia social para induzir as vítimas a clicar em links maliciosos ou a acreditar em falsas promessas de benefícios. As investigações indicam que, ao acessar os links, as vítimas tinham seus celulares invadidos por softwares de espionagem, o que permitia o redirecionamento de chamadas para centrais falsas, o espelhamento de tela e o monitoramento remoto de atividades para facilitar invasões financeiras.
Além disso, o esquema incluía uma variedade de golpes. Entre as modalidades identificadas estão o golpe da mão fantasma, o golpe do INSS, o golpe do falso advogado e fraudes envolvendo cartões clonados, centrais telefônicas falsas e o uso de plataformas de pagamentos para clonar chaves Pix. Em especial, o golpe da mão fantasma envolvia engenharia social para ganhar a confiança da vítima, seguido do envio de links que instalavam malware no celular e permitiam o controle remoto do dispositivo.
No que diz respeito ao golpe do INSS, os criminosos atuavam se passando por funcionários do instituto, explorando questões ligadas a benefícios previdenciários para induzir as vítimas a seguir instruções fraudulentas ou abrir links enganosos. Já o golpe do falso advogado consistia em se passar por advogados ou escritórios de advocacia para pessoas com processos em andamento, obtendo dados de sistemas judiciais e montando perfis falsos para cobrar valores de honorários ou taxas antes de supostamente liberar valores pela Justiça.
Ao longo da apuração, a Polícia Civil também apreendeu diversos cartões clonados, reforçando a prática de fraude financeira com elementos de organização criminosa bem estruturada. A soma de operações, o alcance geográfico e o elevado volume financeiro apontam para uma gestão que acompanhava os clientes e as vítimas de forma coordenada, com o objetivo de manter o esquema funcionando por anos.
Quem é MC Negão Original
João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, figura entre os investigados na operação Fim da Fábula. O artista acumula milhões de ouvintes e seguidores nas redes, com duas contas no Instagram somando mais de 2 milhões de seguidores cada uma e mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Seu álbum “A Nata de Tudo – A Ovelha Negra” chegou ao topo do Top Álbuns Debut Global do Spotify, consolidando sua posição no cenário do funk.
Nascido em São Paulo, ele descreveu sua trajetória como “irônica” em entrevista ao Metrópoles publicada em março de 2025, afirmando ter passado pelo crime, pela igreja e pelo funk. Em narrativa compartilhada com a imprensa, o artista comentou que, na juventude, precisou escolher entre estudar e ajudar a mãe, e que naquela época a única alternativa viável era seguir por caminhos arriscados. A entrevista traz um relato de vida que mistura dificuldades, redes sociais e ascensão artística.
“Houve um momento em que precisei escolher entre estudar ou ajudar minha mãe. E, naquela época, a única alternativa viável para mim era essa.”
A operação Fim da Fábula, anunciada no final de fevereiro, contou com o envolvimento do Deic e do MPSP para desarticular o esquema de golpes que envolveu dezenas de imóveis, veículos e movimentações financeiras, muitas ocorridas em nomes de terceiros. O conjunto de ações também incluiu o bloqueio de bens e a responsabilização de indivíduos ligados ao caso, com o objetivo de interromper a continuidade das fraudes e resgatar o crédito das vítimas.
Aassertiva de que o crime fica mais difícil de sustentar quando a rede é ampla e as evidências são robustas se confirma na prática. A operação mobilizou aproximadamente 400 profissionais da Polícia Civil e do Ministério Público, com uma atuação integrada entre a capital e outras regiões, incluindo Minas Gerais e o Distrito Federal. A investigação segue em curso, com novas informações potenciais a vint desdobramentos e a identificação de novas vítimas e cúmplices.
A violência desses golpes não apenas afeta o bolso das pessoas, mas também abala a confiança na esfera pública e na tecnologia. O combate a esse tipo de crime exige cooperação entre as autoridades, vigilância constante das plataformas digitais e educação financeira para a população, a fim de reduzir a vulnerabilidade a esquemas cada vez mais sofisticados.
Participação da cidade, movimentação de ativos e a exposição de figuras públicas envolvidas evidenciam a complexidade de redes criminosas que se valem da popularidade para ampliar o alcance de suas ações. A continuidade das investigações deve esclarecer o papel de cada elemento e as ligações entre as diversas frentes de golpes, além de indicar as medidas de proteção que a população pode adotar no dia a dia.
Convidamos leitores e moradores a compartilhar suas impressões sobre esse desdobramento: quais sinais de alerta vocês identificam quando recebem mensagens ou ligações suspeitas? De que forma a sociedade pode colaborar para reduzir a vitimização nesse tipo de crime? Deixem seus comentários e opiniões para enriquecer este debate público.

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