Feminicídio: taxa no DF superou a média nacional em 2025. Veja quem eram as vítimas

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No Distrito Federal, 2025 terminou com 28 feminicídios, uma taxa de 1,8 morte a cada 100 mil habitantes. Esse índice ficou acima da média nacional, de 1,43, e colocou a capital federal na oitava posição entre as unidades da Federação. Além dos casos consumados, foram registradas 131 tentativas de feminicídio, o que indica que, em média, uma mulher foi atacada a cada 3 dias durante o ano. Esses números vêm da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) e mostram um desafio persistente no enfrentamento à violência contra a mulher.

A crise não se restringe aos casos ocorridos. Entre 2015 e janeiro de 2026, o DF confirmou 227 vítimas de feminicídio, com nove ainda sob análise pela SSP. Em termos de tendência, o total de assassinatos contra mulheres cresceu em relação a 2024, quando houve 23 feminicídios, sinalizando uma escalada que motiva ações mais firmes por parte das autoridades e da rede de proteção às vítimas.

Entre as regiões administrativas, Planaltina liderou o número de feminicídios em 2025, com quatro casos. Samambaia ficou em segundo, com três ocorrências, seguido por Ceilândia, Recanto das Emas e Sobradinho, que registraram dois casos cada. Esses dados revelam uma distribuição que não é concentrada em uma única área, mas sim espalhada por diferentes localidades, com impactos profundos nas famílias e nas comunidades.

O conjunto de ocorrências de 2025 inclui casos que ganharam notoriedade pela violência brutal, muitas vezes associada a relações abusivas ou a contextos de impunidade. Entre eles, destacam-se situações em que ex-companheiros ou parceiros agiram com extrema violência em locais públicos ou próximos às residências. A soma de vítimas envolve mulheres de diferentes idades, cujos relatos acabam refletindo uma realidade de vulnerabilidade persistente na cidade.

O caso mais recente registrado em 2025 dentro de unidade militar também ganhou ampla repercussão: a feminicida experiência de Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, morta a facadas no interior de uma instalação do Exército, seguida de incêndio que chamou a atenção para a atuação de sua perícia. A polícia registrou que o ex-soldado Kelvin Barros da Silva confessou o crime e permanece preso, aguardando julgamento. Esse episódio evidenciou que a violência contra a mulher pode ocorrer mesmo em contextos institucionalizados, gerando debates sobre proteção de vítimas em diferentes âmbitos da cidade.

Vítimas de feminicídio no DF em 2025
Ana Moura Virtuoso, 27 anos, morta a facadas pelo marido Jadison Soares da Silva, 47, na Estrutural; primeiro feminicídio de 2025, registrado em 5 de janeiro.
Gessica Moreira de Sousa, 17 anos, morta com um tiro na cabeça em Planaltina, em 22 de fevereiro, pelo ex-companheiro Vandiel Própero, 24; ela estava grávida.
Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, 49 anos, morta em Cruzeiro Velho em 26 de fevereiro; estrangulada e esfaqueada pelo ex-pastor Antônio Ailton da Silva, 43.
Maria José Ferreira dos Santos, 31 anos, assassinada com duas facadas no Recanto das Emas, em 31 de março, pelo companheiro Neilton Pereira Soares, 41.
Dayane Barbosa Carvalho, 34, morta pelo marido na Fercal, em 29 de março; crime registrado em 2025.

Entre outros casos de 2025, destaca-se a violência contra mulheres em diferentes cenários da cidade, o que reforça a necessidade de uma rede de proteção mais ágil e integrada. Em 2025, a SSP descreveu que a violência doméstica segue sendo um problema grave e persistente, exigindo ações que conectem polícia civil, polícia militar, bombeiros, Detran, Justiça e serviços de acolhimento às vítimas. A prioridade, segundo Reginele Rozal, subsecretária de Prevenção à Criminalidade, é justamente transformar os dados em ações concretas para interromper o ciclo de violência.

As medidas de enfrentamento adotadas pela SSP envolvem a atuação integrada entre várias forças de segurança, o uso de tecnologia e programas de monitoramento. Entre as ferramentas estão o Programa Viva Flor e o acompanhamento de agressores com tornozeleira eletrônica. A SSP afirma que, hoje, cerca de 2 mil mulheres estão protegidas por esses mecanismos no Distrito Federal. Além disso, a importância das denúncias é destacada como parte essencial para interromper o ciclo da violência e ampliar a proteção às vítimas.

A SSP também detalha que a atuação de enfrentamento envolve a integração entre instituições, uso de dados para orientar ações, e uma rede ampliada de proteção às vítimas que inclui serviços de acolhimento e o sistema de justiça. O monitoramento de agressores e o acompanhamento por tornozeleira eletrônica são partes centrais da estratégia, com a mensagem clara de que a violência contra a mulher não é tolerada e que quem agride será responsabilizado.

Em síntese, 2025 reforçou um cenário de elevada vulnerabilidade para mulheres na cidade, com números que destacam a necessidade de políticas públicas ainda mais eficazes, cooperação entre setores e participação da comunidade para reduzir casos de feminicídio e garantir proteção rápida às vítimas. O que você pensa sobre as medidas atuais e o que poderia ser feito para tornar a cidade mais segura para mulheres e meninas?

E você, já acompanhou de perto a temática na sua região? Compartilhe suas impressões e experiências nos comentários. Sua visão pode contribuir para ampliar o debate e fortalecer as ações de proteção às mulheres na cidade.

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