A Polícia Federal deflagrou, nesta manhã, uma operação que envolve a ex-deputada federal e fisioterapeuta Maria Gorete Pereira (MDB-CE) no âmbito da Operação Indébito, desdobramento da investigação conhecida como Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares, no Distrito Federal e no Ceará, sinalizando a existência de uma rede potencialmente ligada a fraudes em benefícios previdenciários.
Segundo as investigações, Gorete Pereira manteria relação com uma das entidades sob suspeita, a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen). A parlamentar seria responsável por atuar com poderes para celebrar um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, o que, na prática, ampliaria sua autonomia para formalizar instrumentos que permitiam descontos diretos nos contracheques dos beneficiários.
A apuração aponta que o esquema envolve a inserção de dados falsos em sistemas oficiais, permitindo a cobrança automática de descontos nos benefícios. Entre os operadores citados estão o empresário Natjo de Lima Pinheiro, descrito como um dos gestores das entidades, e a advogada Cecília Rodrigues Mota. A investigação aponta ainda o uso de “testas de ferro” para movimentar recursos, com ambos sendo presos nesta terça-feira. A assessoria de Gorete Pereira foi procurada, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
As apurações indicam transações suspeitas que somam quase R$ 245 mil, ocorridas entre 2018 e 2023, refletindo o fluxo de recursos dentro das associações investigadas. O formato do desvio envolvia inserir dados falsos em sistemas oficiais, de modo a faturar descontos nos contracheques de aposentados e pensionistas. Em resposta, as autoridades veem potencial configuração de organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro, crimes que poderão constar na eventual denúncia.
A operação também envolve investigações sobre a forma como a associação e seus operadores atuavam para favorecer, juridicamente, o funcionamento do arranjo. O Ministério Público e a PF não divulgaram informações adicionais no momento, e a apuração segue em curso para mapear toda a estrutura envolvida e o real alcance dos descontos indevidos nos benefícios.
Historicamente, o caso se insere na queda de braço entre o poder público e estruturas que buscam burlar o sistema previdenciário. A cobertura do Metrópoles, que revelou o rombo potencial de descontos, acentuou a necessidade de fiscalização rígida sobre entidades que representam aposentados e de manter sob controle automático os mecanismos de cobrança em sistemas do INSS, para evitar prejuízos a milhares de cidadãos. Este desdobramento reforça a importância de mecanismos de transparência e de responsabilização dos envolvidos.
Quem acompanha as investigações, especialmente os moradores da região, pode perceber a relevância de ações firmes contra fraudes em benefícios previdenciários. Compartilhe sua opinião sobre como melhorar a fiscalização de atos que envolvem descontos de aposentadorias e a atuação de entidades que lidam com o INSS. Deixe seu comentário e participe da discussão sobre o tema.

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