INSS: preso pela Polícia Federal tem contrato com Ministério da Defesa

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Nova fase da Operação Sem Desconto desmantela esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS no Ceará e no Distrito Federal, com prisões e medidas cautelares contra empresários, advogada e uma deputada federal. A investigação aponta Natjo de Lima Pinheiro como líder de um núcleo cearense envolvido em desvio de recursos ligados a pensões, em conjunto com uma rede de servidores e clientes do INSS. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, revela contratos estatais, movimentações financeiras atípicas e viagens internacionais que ampliam o raio de atuação do esquema.

O caso se explica no contexto de uma nova etapa da operação, que mira a atuação de uma organização criminosa associada a descontos indevidos em benefícios previdenciários. A investigação envolve a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB), a advogada Cecília Rodrigues Mota e Natjo de Lima Pinheiro, apontados como figuras centrais ou ligadas ao funcionamento do esquema. O magistrado considerou indícios de ocultação patrimonial e tentativa de subtração de bens, com risco para a ordem pública e para a instrução criminal, o que sustenta as medidas cautelares decretadas.

Entre os elementos de apuração está o vínculo de Natjo com contratos e repasses federais envolvendo empresas ligadas a ele. Em agosto de 2023 foi firmado com o Ministério da Defesa um contrato de R$ 750 mil para a Total Saúde Clínica e Laboratório Ltda, contratado para serviços de análise clínica, anatomia patológica e citopatologia voltados a militares do Exército, com vigência até novembro de 2028. A extensão do caso aponta que o mesmo empresário participou de uma rede que, segundo a PF, desviou recursos, ampliando o impacto para além do INSS.

Além do contrato com a Defesa, a apuração aponta repasses a outras companhias vinculadas ao empresário. A Total Empresa Simples de Crédito aparece como beneficiária de R$ 59 mil; a Fattor Participações e Construções Ltda recebeu R$ 383 mil; já a Max Serviços e Processamento de Dados Cadastrais Ltda teve pagamentos de R$ 1,7 mil. O Portal da Transparência não informa o órgão responsável por alguns desses contratos, suscitando dúvidas sobre a procedência e a finalidade dos repasses. Esses itens ajudam a compor a imagem de uma rede de negócios com ponta em recursos públicos.

A apuração indica que Natjo é descrito pelos investigadores como um dos líderes do núcleo Cearense que promovia descontos indevidos em pensões e aposentadorias. O esquema envolveria conluio com servidores do INSS, com um rombo estimado em Ceará que pode superar 450 milhões de reais. A combinação de contratos, movimentações financeiras e viagens internacionais, apontadas pela colunista Andreza Matais e pela reportagem do Metrópoles, sugere uma atuação estruturada para facilitar pagamentos e ocultar operações.

Dados de quebra de sigilo bancário e fiscal indicam que Natjo movimentou ao menos 1,11 bilhão de reais entre 2023 e 2025. As informações foram encaminhadas pela Receita Federal à CPMI do INSS, fortalecendo o cenário de irregularidades de grande escala. Investigadores destacam que Natjo manteve relação com a advogada Cecília Rodrigues Mota, inclusive recebendo pagamentos dela e realizando ao menos 15 viagens internacionais por meio de sua empresa, o que amplia o risco de integridade de processos e de controle sobre os recursos públicos envolvidos.

Nova operação policial — O relator do inquérito no STF autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto no Ceará e no Distrito Federal. A investigação volta a mapear a atuação de uma organização criminosa ligada a descontos indevidos em benefícios previdenciários. Entre os alvos da decisão estão a deputada Maria Gorete Pereira, a advogada Cecília Rodrigues Mota e Natjo de Lima Pinheiro. O magistrado apontou indícios de ocultação patrimonial e tentativa de subtração de bens, impondo cautelares por risco à ordem pública e à instrução criminal.

Na prática, a decisão autorizou a prisão preventiva de Cecília Mota e de Natjo Pinheiro. Para Maria Gorete Pereira foram impostas medidas como o uso de tornozeleira eletrônica, restrições de contato e a proibição de atuar em entidades investigadas, com a obrigação de cumprir recolhimento domiciliar noturno e manter-se na cidade de residência, além da entrega de passaportes. O Ministério Público Federal afirma que a deputada atuaria na articulação política do esquema junto ao INSS e teria recebido valores por meio de empresas de fachada. A PF também aponta que Cecília Mota controlaria associações em nome de terceiros para legitimar as operações, enquanto Natjo seria o responsável pela gestão financeira do grupo.

Ao fechar, o Ministério Público Federal reforça que a apuração revela uma rede de ações coordenadas entre estruturas públicas e privadas para desviar recursos destinados a pensões e aposentadorias. O impacto, estimado em números expressivos, evidencia a necessidade de reforço de controles, transparência e fiscalização de contratos com a Administração Pública, bem como de mecanismos de cooperação entre órgãos federais para interromper práticas que ferem a dignidade dos beneficiários.

Seus desdobramentos continuam sendo acompanhados pela imprensa e pelos órgãos de fiscalização, que destacam a importância de manter a vigilância sobre operações que envolvem benefícios sociais, contratos com o governo e a atuação de figuras políticas e empresariais relevantes na região. O caso também coloca em foco as dificuldades de coibir fraudes que se injeta em redes complexas de empresas, associações e entidades vinculadas a órgãos públicos.

Convido você a compartilhar nos comentários suas impressões sobre a importância de investigações como essa para a defesa do patrimônio público e dos direitos dos trabalhadores. Qual a sua leitura sobre o equilíbrio entre controle estatal, transparência e atuação judicial nesse tipo de operação?

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