Um ataque a um terreiro de Umbanda em Presidente Prudente, interior de São Paulo, ocorrida na manhã de 16 de março, mostra uma sequência de agressões, danos e falhas na atuação policial. O episódio reacende o debate sobre intolerância religiosa, a necessidade de responsabilização e as medidas de proteção aos espaços de culto de matrizes africanas. O caso envolve uma invasão que causou danos ao portão, xingamentos e ameaças graves, revelando a tensão entre fé, lei e segurança pública.
O terreiro Ilê Ègbé Orúnmila Ifá, que funciona há nove anos no mesmo endereço ao lado de uma igreja evangélica, tornou-se cenário de violência quando Wellington Henrique Ambrosio Santos, de 35 anos, invadiu o local por volta das cinco da manhã. O pai de santo Danilo da Silva Prioli, conhecido como Babá Ifágbè, e o marido dele denunciaram a situação assim que perceberam as atitudes do agressor, que proferiu falas desconexas e ameaças contra os fiéis.
Entre as frases repetidas pelo agressor estavam ameaças de cortar pescoços, em referência a práticas de rituais com animais protegidos por lei. Os religiosos conseguiram retirar o homem do terreiro, mas a Polícia Militar só chegou às oito horas, quando a intrusão já evoluía para danos contínuos no portão. A sequência de chegadas da PM foi marcada por ainda mais agressividade por parte do agressor, sem que ele fosse detido ou identificado nos primeiros contatos.
Quando as autoridades se manifestaram, os representantes do terreiro relataram que os agentes teriam dito que a conduta do homem não configurava crime, chegando a ouvir que os integrantes deveriam repensar as liturgias. Em meio ao conflito, o pai de santo descreveu a atitude da Polícia como descaso e enfatizou que, em sua visão, não se trata de uma briga entre vizinhos, mas de intolerância religiosa marcada por violência e desrespeito.
Após identificar o agressor com a ajuda de vizinhos, Danilo acompanhou a ocorrência à delegacia com um advogado. A vítima relatou que, ao chegar à prisão, o atendimento ocorreu de forma mais digna, com reconhecimento da gravidade do caso. Mesmo assim, o agressor foi visto na via pública durante o dia, repetindo atos agressivos para cima da casa religiosa, o que levou o registro do boletim de ocorrência com as categorias dano, ameaça, preconceito e violação de domicílio.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Polícia Civil investiga o caso sob a linha de injúria religiosa, ameaça e dano. O comunicado ressalta que houve invasão da residência, discurso de ódio e danos ao imóvel, com perícia solicitada no local. Em meio a esse contexto, a intolerância religiosa é tratada pela legislação como crime inafiançável e imprescritível, equiparada ao racismo pela Lei 7.716/1989. A norma abrange agressões, depredação, discriminação, ofensas e perturbação de culto, reforçando a proteção constitucional à liberdade de crença prevista no artigo 5º da Constituição Federal.
Para quem vive casos de intolerância ou racismo religioso, os canais oficiais de denúncia são Disque 100, Polícia (190) com foco em crimes de intolerância religiosa e Gecradi, do Ministério Público, que atua especificamente no combate a crimes de racismo religioso. A combinação entre legislação robusta e a pressão por responsabilização é vista como essencial para reduzir episódios de violência contra espaços de fé de matriz africana.
Moradores da localidade relatam que o episódio não é apenas uma disputa entre vizinhos, mas um sinal de intolerância que precisa de resposta firme das instituições. O terreiro parceira com a comunidade local afirma que o ambiente ao lado de uma igreja da Assembleia de Deus permanece em harmonia, o que reforça a necessidade de defender a convivência entre feições religiosas distintas. O ataque gerou medo entre os fiéis, que aguardam uma solução que garanta segurança a todos os espaços de culto.
Intolerância religiosa é crime, com tipificações que garantem punições, além de proteção à liberdade de crença. O caso de Presidente Prudente evidencia que a violência com base na fé não pode ficar impune. A polícia segue trabalhando para esclarecer os fatores do ataque e identificar qualquer responsabilidade institucional que tenha contribuído para a demora na intervenção. A buscar por justiça envolve não apenas a apuração de fatos, mas a reforçar a proteção aos espaços de culto de todas as tradições.
Se você tiver informações ou quiser opinar sobre como melhorar a proteção de espaços de culto e a atuação policial em casos de intolerância religiosa, compartilhe nos comentários. Sua voz ajuda a ampliar o debate e a construir uma resposta mais efetiva para a região.
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