Justiça mantém expulso ex-presidente do Juventus suspeito de fraude

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Resumo: a Justiça de São Paulo manteve afastado do conselho deliberativo do Clube Atlético Juventus o ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales, em meio a uma apuração de possível desvio de R$ 2,3 milhões destinados a obras no Estádio Conde Rodolfo Crespi, o Javari. Decisões entre primeira instância e TJSP moldam o andamento do caso, que também envolve dívidas potenciais, sindicâncias internas e uma investigação criminal por estelionato e associação criminosa envolvendo ex-dirigentes.

O Juventus é dono do Estádio Conde Rodolfo Crespi, conhecido como Javari, inaugurado em 1925 e adquirido da família Crespi em 1967. Localizado na Rua Javari, na Mooca, o espaço ocupa cerca de 15 mil metros quadrados e, oficialmente, abriga 5 mil pessoas, embora haja registros de participação de até 15 mil torcedores em partidas. Em 2019, o estádio foi tombado pelo Conpresp, reconhecendo-o como patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Em 2022, a Prefeitura firmou com o clube um termo de compromisso sobre o potencial construtivo do estádio, tema central das controvérsias em curso.

Afastamento e primeiras decisões A apuração inicial começou com a decisão de afastar Antonio Ruiz Gonzales do cargo, em 9 de março, no contexto de apuração policial sobre possível desvio relacionado a obras no Javari. Em 19 de março, o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 12ª Vara Cível, anulou a exclusão e determinou que o Juventus realizasse nova convocaç?o para julgamento de sindicância, com prazo de 10 dias para análise documental.

No dia 24 de março, o desembargador José Rubens Queiróz Gomes, da 7ª Câmara de Direito Privado do TJSP, interrompeu a eficácia do entendimento de primeira instância até que o mérito seja julgado pelo colegiado, mantendo a situação do ex-presidente em aberto enquanto o recurso é analisado.

Documentos e desdobramentos internos Relatórios internos, conforme apurado pelo Metrópoles, indicaram que três acusados em sindicâncias teriam sido afastados, após investigações sobre supostas irregularidades. O Juventus encaminhou à polícia um pedido de inquérito para proteger o patrimônio do clube e responsabilizar os envolvidos, destacando a possibilidade de suspensão de dirigentes entre 2019 e 2020 e o afastamento de funcionários da tesouraria. Em setembro, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa chegou a apresentar uma proposta de multa por descumprimento de termos do acordo, elevando o déficit potencial para cerca de R$ 5,3 milhões, incluindo restituições previstas pela gestão municipal.

O caso ganhou dimensão com o pedido do Juventus de bloquear as contas dos destinatários dos pagamentos e o sequestro de valores vinculados ao termo de compromisso. A apuração segue sob a égide da 4ª Delegacia de Polícia de Investigação sobre Lavagem ou Ocultação de Bens e Valores, que protocolou o inquérito para apurar possíveis danos ao patrimônio da agremiação.

Estádio e patrimônio histórico O Estádio Conde Rodolfo Crespi, também chamado de Javari, tem sua história marcada pela inauguração em 26 de abril de 1925 e pela aquisição pelo Juventus em 1967, após pertencer à família Crespi. Hoje, o espaço ocupa cerca de 15 mil metros quadrados, com capacidade oficial de 5 mil torcedores, embora o clube já tenha relatado presenças superiores em jogos especiais. Em 2019, o estádio foi tombado pelo Conpresp, reconhecendo seu papel como patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade.

Avanços da investigação criminal Em 20 de outubro de 2025, a Polícia Civil abriu um inquérito após a direção do Clube Atlético Juventus apresentar uma notícia-crime contra ex-dirigentes, incluindo Antonio Ruiz Gonzales, Ivan Antipov, Paulo Troise Voci e Raudinei Anversa Freire, apontando indícios de estelionato e de uma possível associação criminosa destinada a lesar o patrimônio do clube. A delegacia especializada enfatizou a necessidade de identificar a existência de uma estrutura delitiva e de responsabilizar os envolvidos. O andamento dessas apurações deverá avançar nos próximos meses, com novos capítulos a serem divulgados pela Polícia Civil.

Como este caso envolve história, gestão de patrimônio e finanças de uma agremiação centenária, ele provoca reflexões sobre transparência, governança e responsabilidade na condução de clubes com relevância para a cidade.

E você, qual leitura faz desse enredo que mistura esporte, patrimônio e finanças? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe da discussão sobre como clubes com forte vínculo comunitário devem equilibrar tradição, gestão responsável e prestação de contas.

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