Resumo: Na noite de sábado, Marisa Monte levou ao Arena Fonte Nova, em Salvador, uma apresentação histórica da turnê Phonica com uma orquestra sinfônica de 55 músicos, mesclando canções populares com arranjos eruditos e celebrando a musicalidade baiana.
O show ocorreu em um cenário que parece dialogar com as próprias canções da artista. A referência poética da Ladeira da Fonte das Pedras, s/n, em Nazaré, dentro da cidade, trouxe à cidade uma atmosfera de calma e contemplação enquanto a plateia se preparava para a fusão entre o popular e o erudito.
Sob a regência do maestro André Bachur, Marisa Monte apresentou, pela primeira vez na carreira, um espetáculo inteiramente próprio acompanhado por uma orquestra sinfônica de 55 músicos, ampliando o alcance de seu repertório com a assinatura orquestral.
Para a série Phonica, a produção reuniu músicos virtuosíssimos das melhores orquestras do país. Em parceria com Bachur, a cantora abriu as portas para uma experiência que mistura o jeito de narrar a música popular com a densidade da música erudita, criando uma atmosfera quase transcendental.
Do gramado da Fonte Nova, a plateia madura acompanhou cada tema no tom exato, cantando os grandes sucessos da carreira de Monte. O show começou com “Vilarejo” e seguiu com uma mistura de faixas novas e clássicos que marcaram o percurso da artista.
Entre as canções, destacaram-se sucessos recentes como “Feliz, Alegre e Forte” e a apresentação de “Sua Onda”, composição em parceria com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. A cantora explicou que o concerto buscava algo novo, apontando para o futuro sem abandonar o passado.
“Eu fiquei com vontade de ter uma música diferente para esse show, uma música nova que apontasse para o futuro e que também marcasse esse nosso momento aqui”, disse Marisa, abrindo espaço para uma leitura contemporânea de seu repertório.

Sem Arnaldo, o público assumiu o papel de intérprete, declamando trechos da obra de Eça de Queiróz, O Primo Basílio, presente na faixa Amor I Love You. Salvador mostrou que sabe viajar entre o literário e o musical, sem perder a personalidade da noite.
O karaokê continuou com sucessos como “Depois”, “Infinito Particular”, “Beija Eu”, “Ainda Bem”, “Ainda Lembro”, “Maria de Verdade”, “Segue o Seco” e “Cérebro Eletrônico”, esta última gravada por Marisa no disco Barulhinho Bom. A intérprete interagiu com o público entre as canções, mantendo a energia em alta.
O presente da cidade foi também musicalmente ligado ao Candeal, região da cidade onde Carlinhos Brown trouxe uma homenagem à música baiana. Ao lado do carismático compositor, Monte apresentou faixas como “Magamalabares” e “Velha Infância”, reforçando a parceria de longa data com Brown, que recebeu uma declaração de amizade: “Sem ele essas músicas não existiriam”.
Depois de três despedidas, Marisa encerrou o show por volta das 20h40, iniciando por volta das 18h50. Antes de sair, a plateia não deixou a cantora sair sem cantar “Bem Que Se Quis”, coro que coroou uma noite de grandiosidade musical e emocional.
Casa cheia, chuva quase constante e o peso de 37 anos desde o lançamento do primeiro álbum MM ficam evidentes na afirmação de que o amor permanece atual, independentemente da década. A performance confirmou que a música de Marisa Monte continua capaz de dialogar com diferentes gerações, mantendo viva a essência do que a cantora construiu ao longo de sua carreira.
Mais do que um show, uma convergência entre o popular e o erudito que reforça a importância de preservar a diversidade da música brasileira dentro de uma cidade que a abraça como parte de sua própria identidade. O que você achou dessa fusão entre palcos gigantescos, orquestra e o imaginário de Marisa Monte?
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Você acompanhou a apresentação? Quais momentos ficaram marcados na sua memória? Conte para a gente nos comentários.

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