Maestro João Carlos Martins inaugura a 1ª orquestra sênior do Brasil. Vídeo

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João Carlos Martins inaugura a primeira Orquestra Sénior do Brasil em São Paulo

João Carlos Martins apresenta, em São Paulo, a primeira Orquestra Sénior do Brasil, formada exclusivamente por músicos com 60 anos ou mais. O objetivo é oferecer uma plataforma de renovação para a música clássica, levar esperança a profissionais que enfrentaram aposentadoria precoce e ampliar o alcance do repertório Bachiana com uma visão contemporânea. A temporada estreia no dia 15 de abril no SESI-SP, trazendo uma proposta diferenciada de concertos que começam mais cedo, duram menos e buscam provocar reflexão.

A Orquestra Bachiana Sénior SESI-SP reúne 25 instrumentistas com idades entre 62 e 80 anos, a maioria recém-aposentada de instituições de renome, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), a Orquestra Sinfônica Municipal, o Theatro Municipal e a Orquestra Sinfônica Universidade de São Paulo (Osusp). Segundo Martins, a ideia é mostrar que o jardim da vida continua fértil para a música, mesmo quando a juventude parece ter ido embora.

A iniciativa faz parte de um ecossistema maior de Bachiana que abrange três modalidades: Bachiana Sénior, Bachiana Filarmônica e Bachiana Jovem. O processo seletivo contou com a participação do maestro Laércio Sinhorelli Diniz, regente principal das apresentações, e representa uma evolução natural do projeto que já consolidou, no Brasil, uma estrutura única no mundo com as três frentes em atuação simultânea.

Martins descreve o projeto como uma ponte entre tradição e inovação. Ele afirma que a “renovação” na música clássica não significa apagar o passado, mas manter o interesse ativo do público e de novos públicos, criando “fatos novos para causar interesse para pessoas que não tiveram contato com a música clássica”. A proposta é, portanto, convidar a comunidade local a repensar o que é possível manter vivo ao longo dos anos.

O maestro também assinala que a ideia de formar uma tríade de instituições sob o guarda-chuva Bachiana surgiu quando regia a Bachiana Filarmônica e a Bachiana Jovem. Com isso, o conjunto passou a ser visto como referência mundial por abranger as três modalidades, fortalecendo a tradição musical com uma prática de convivência entre gerações. A escolha dos músicos levou em conta não apenas o talento, mas a experiência acumulada ao longo de décadas em palcos nacionais e internacionais.

Entre as motivações pessoais, Martins compartilha a história de seu próprio percurso: diagnosticado aos 18 anos com contratura de Dupuytren e distonia focal — condições raras que persistem até hoje — ele não abandonou a música. Em várias oportunidades, ele ressaltou que o instrumento é um “ímã” para quem vive da música, e que o amor pelo ofício pode sobreviver às dificuldades físicas. O relatos sobre a trajetória familiar também ganham destaque, como a lembrança de seu pai — que viveu até os 102 anos — e a lição de que a paixão pela música pode atravessar gerações.

A temporada da Bachiana Sénior tem estreia marcada para o dia 15 de abril, com apresentações no SESI-SP. Um diferencial é que os concertos começarão às 20h, com duração de aproximadamente 50 minutos, mantendo o foco na qualidade musical sem sobrecarregar a plateia. O repertório combinará peças tradicionais da Bachiana com temas inéditos, incluindo incursões pela relação entre música e psicanalise e entre música e meio ambiente — uma aposta de Martins para ampliar horizontes e gerar diálogo entre público e repertório.

Sobre o alcance do projeto, Martins compartilhou relatos de recepção calorosa em eventos anteriores com a Bachiana Sénior, destacando que o público tem reagido com entusiasmo, tanto no Brasil quanto fora do país. Ele enfatiza que o objetivo não é apenas manter a técnica, mas criar experiências que estimulem o debate sobre temas relevantes da sociedade e do cotidiano, ampliando o papel social da música clássica para além do palco.

Além disso, o histórico da Bachiana Filarmônica SESI-SP mostra como o brasileiro pode levar adiante uma tradição sem perder a capacidade de se reinventar. Com mais de 20 milhões de pessoas já alcançadas ao vivo, a Bachiana Filarmônica nasceu de uma decisão ousada: quando Martins tinha 63 anos, foi informado de que não poderia tocar piano profissionalmente. Em resposta, reuniu 18 músicos, aprendeu regência e, seis meses depois, já conduzia uma das principais formações da cena internacional, a English Chamber Orchestra, em Londres. A trajetória ganhou fôlego com o apoio institucional da Fiesp e a criação da Bachiana Jovem, abrindo espaço para que a música clássica dialogasse com diferentes públicos.

Conclusão, o ciclo da Bachiana Sénior marca um marco na cena musical brasileira ao demonstrar que experiência e vitalidade podem caminhar juntas, abrindo caminho para que novas orquestras seniores surjam pelo país. O projeto, que já revela uma sinergia entre tradição e inovação, pretende inspirar políticas culturais locais e estimular a criação de espaços permanentes para músicos da terceira idade, ajudando a manter a música clássica relevante no século XXI.

Convidamos você, leitor, a compartilhar sua opinião sobre iniciativas que valorizam a experiência e promovem a inclusão de novas perspectivas na música. O que a ideia de uma Orquestra Sénior representa para a sua cidade e para a formação de novas audiências? Deixe seus comentários abaixo e participe do debate.

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