Duas mortas e uma jogada de prédio: violência contra mulheres choca BH

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Belo Horizonte – Em Belo Horizonte, MG, entre os dias 20 e 21 de julho, três casos de violência contra mulheres terminaram em dois feminicídios e uma tentativa de feminicídio, todos praticados por homens com os quais tinham relação afetiva. As vítimas são a capitã Michele Leão Azevedo, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG); a Stifanie Ribeiro Firmino Silva; e uma mulher de 31 anos que sobreviveu após agressões e queda de sacada. Os suspeitos são o marido da capitã, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 37 anos, o namorado de Stifanie, 24, e o companheiro da última vítima, Carlos Antonio Avelar de Oliveira.

O caso de maior repercussão envolve a capitã Michele Leão Azevedo, 41 anos, morta pelo próprio marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 37 anos. A Polícia Civil informou múltiplas lesões pelo corpo, traumatismo craniano e ferimentos que levantaram dúvidas sobre a versão de que a capitã teria sofrido uma queda após práticas sexuais consensuais; tal versão foi contestada pela perícia e por elementos da investigação. Além do feminicídio, o sargento foi preso em flagrante por tráfico de drogas ao tentar descartar comprimidos de ecstasy no hospital. Na quarta-feira (22/7), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Durante o velório, o porta-voz da PMMG, capitão Rafael Veríssimo, afirmou que a corporação não tolerará crimes envolvendo policiais e citou possibilidade de exclusão caso condenado.

Poucas horas antes, a Stifanie Ribeiro Firmino Silva, 36 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento no bairro Camargos, Região Oeste de Belo Horizonte. Vizinhos relataram ter visto o namorado da vítima, 24 anos, deixando o condomínio com duas malas. No dia seguinte, ele se apresentou espontaneamente ao DHPP, confessou o feminicídio e foi preso em flagrante. A Polícia Civil investiga a motivação e as circunstâncias do crime.

Na madrugada de terça-feira (21/7), outra agressão ocorreu no Bairro Jonas Veiga, Região Leste. Uma mulher de 31 anos foi espancada e arremessada da sacada de uma residência pelo companheiro, Carlos Antonio Avelar de Oliveira. Ela sobreviveu, recebendo atendimento médico após golpes com as mãos, pés e objetos, além de agressões anteriores; uma amiga que tentou intervir também foi atacada. Nesta quarta (22/7), a Justiça converteu a prisão do suspeito em preventiva, destacando a extrema brutalidade do ato e o histórico criminal do suspeito, que inclui condenações por roubo e tráfico de drogas.

Segundo levantamento obtido pelo Metrópoles, Minas Gerais registrou 2.725 vítimas de feminicídio entre 2019 e maio de 2026, considerando casos consumados e tentativas. Nos primeiros cinco meses de 2026, foram contabilizadas 148 vítimas (63 feminicídios consumados e 85 tentativas). Se o ritmo for mantido, 2026 pode encerrar com o maior número de ocorrências desde o início da série histórica. A professora Ludmila Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que cerca de 90% dos feminicídios são íntimos, cometidos por companheiros ou ex-companheiros, e alerta para o papel das armas de fogo nas residências como fator de risco, aumentanto em até 27 vezes a probabilidade de homicídio em casos de violência doméstica. A pesquisadora defende uma atuação integrada entre segurança pública, saúde, educação e assistência social para romper esse ciclo de violência.

Convidamos o leitor a acompanhar os desdobramentos dessas investigações e a deixar suas opiniões nos comentários sobre como reduzir a violência contra mulheres, especialmente nos vínculos afetivos.


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