Brasil critica Israel após cardeal ser impedido de acessar igreja

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O Brasil condenou neste domingo a decisão de autoridades israelenses de impedir o acesso do Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, à Igreja do Santo Sepulcro durante as celebrações do Domingo de Ramos. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o episódio representa uma violação da liberdade religiosa e do direito de fiéis a locais sagrados em Jerusalém.

O Itamaraty destacou que o impedimento ocorreu numa data central para o cristianismo, o Domingo de Ramos, início da Semana Santa, e que a restrição contraria compromissos internacionais relacionados à proteção de lugares de culto e à liberdade de religião. Segundo o governo brasileiro, o episódio agrava tensões na região e envia um sinal preocupante sobre o manejo de locais sagrados em Jerusalém.

Em nota da Procuradoria diplomática, o Brasil também citou, de forma indireta, um parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024. O documento, conforme mencionado pela exposição brasileira, concluiu que a contínua presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que o país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte desse território, incluindo Jerusalém Oriental. A includesão desse trecho reforça a leitura de que ações recentes violam princípios de convivência entre comunidades religiosas nessa região.

O episódio também gerou críticas do Patriarcado Latino de Jerusalém, que classificou a medida como sem precedentes. Segundo a instituição, é a primeira vez, em séculos, que líderes católicos são impedidos de celebrar a missa na Igreja do Santo Sepulcro, um marco histórico no coração da Cidade Velha. A ponte entre autoridades religiosas e políticas foi ressaltada como essencial para manter o espaço sagrado em condições de culto.

Autoridades israelenses justificaram a decisão com base em motivos de segurança diante da escalada do conflito no Oriente Médio. Entre as justificativas, houve a indicação de que medidas de segurança passaram a restringir aglomerações públicas, inclusive em templos religiosos, como forma de prevenir ataques e reduzir riscos à população.

Mesmo assim, líderes religiosos contestaram a limitação, afirmando que a celebração havia sido planejada de maneira controlada e dentro dos limites permitidos. O Patriarcado ressaltou que o impedimento sugere um precedente preocupante e desproporcional, com impacto simbólico para fiéis em toda a região e no exterior, que acompanham a Semana Santa com devoção.

A repercussão internacional foi rápida. O presidente da França, Emmanuel Macron, também manifestou condenação à decisão, destacando que o ato se soma a uma tendência de maiores restrições em torno de locais sagrados na cidade. A França reforçou a necessidade de preservar o acesso adequado a espaços de culto e de proteger a liberdade religiosa em Jerusalém.

O caso ocorre em meio ao agravamento das tensões na região, que já levaram ao cancelamento de eventos tradicionais da Semana Santa, como a procissão do Domingo de Ramos a partir do Monte das Oliveiras. Observadores apontam que tais medidas de segurança, embora entendidas como preventivas, podem ampliar o desconforto entre comunidades religiosas e geopoderes locais.

Para fiéis e líderes de várias confissões, a situação traz à tona um debate sobre como equilibrar segurança pública e direito à liberdade de culto. A Igreja do Santo Sepulcro continua a ser símbolo de fé para milhões de cristãos ao redor do mundo, cuja prática religiosa depende de garantias mínimas de acesso a locais sagrados.

E você, leitor, qual é a sua leitura sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade religiosa em Jerusalém? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre como preservar espaços sagrados sem abrir mão da segurança de moradores, visitantes e trabalhadores da região.

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