Opinião: Geraldo Jr. vira “patinho feio” na chapa governista, apesar da resiliência

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Se ao ser anunciado como candidato a vice de ACM Neto (União), Zé Cocá (PP) foi tratado como “traidor” pelo ministro Rui Costa, como classificar o processo de fritura que o atual vice-governador Geraldo Jr. (MDB) tem passado publicamente no processo de construção da campanha de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT)? O ex-presidente da Câmara de Salvador, em 2022 apresentado como um marco da articulação política do PT na Bahia, virou uma espécie de “patinho feio”, quase como elemento tóxico que precisa ser substituído.

A fritura de Geraldo Jr. começou antes mesmo da suicida missão política de enfrentar Bruno Reis (União) quando o prefeito tentou a reeleição em Salvador em 2024. O vice era tratado como uma figura menor, incapaz de ocupar uma cadeira no primeiro escalão e foi colocado como “coordenador” de festas como o Carnaval e São João. Para além do suposto simbolismo do cargo, pouco se viu efetivamente de Geraldo Jr. participando da gestão. No máximo, com o fogo-amigo do excesso de policiais lotados na vice-governadoria ou o séquito de seguranças que o acompanhava em eventos públicos.

De dezembro até agora, Geraldo Jr. passou a ser ainda mais “queimado” dentro da base do governo – que já torcia o nariz para ele em 2022, quando ele mudou de lado para apoiar Jerônimo e ser catapultado a vice. A gota d’água foi a mensagem por “confusão tecnológica” em que o vice encaminhou um pedido para viralizar nas redes uma crítica ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), candidato ao Senado na chapa governista. O segundo no comando do Executivo baiano caiu ainda mais de patamar. Virou meramente um papagaio de pirata para fotografias.

Vide uma declaração do governador, com Geraldo Jr. ao lado, sobre a possibilidade de a cadeira de vice ser ocupada pelo PSD de Otto Alencar. Sem nenhum constrangimento, o emedebista manteve o sorriso amarelo enquanto ouvia o chefe diminuir as chances de manter uma parceria para outubro. Enquanto isso, o MDB envidava esforços para que não apenas a vaga de vice permanecesse com o partido como também fosse Geraldo Jr. a continuar no posto.

Geddel Vieira Lima foi a voz mais robusta nesse caminho. O cacique do MDB deixou claro que não aceitaria ver Geraldo Jr. limado do processo sem ter uma destinação considerada justa e com hombridade (visto que o cadafalso da eleição de 2024 foi alimentado especialmente por líderes maiores do PT baiano como Jaques Wagner). E o tema acabou nacionalizado, em meio aos esforços do entorno de Luiz Inácio Lula da Silva em manter os emedebistas próximos o suficiente para não caírem no colo do adversário (até substituir Geraldo Alckmin como vice teria sido cogitado, superando o trauma de Michel Temer). Ao que se percebe até aqui, foram esforços em vão.

Ainda que seja mantido como vice na chapa de Jerônimo para o próximo pleito, Geraldinho tornará o apelido no diminutivo quase que imperativo. A condição de “traído” cairá como uma luva para quem mostrou lealdade até quando houve esforços reiterados para humilhá-lo. Haja resiliência. Todavia, é mais um exemplo que a política imita a vida. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Ser vice em uma chapa para eleições na Bahia tem sido mais árduo do que se imagina.

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