O CAPS Adulto II Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, enfrenta déficit de profissionais da saúde mental, com psicólogos ausentes desde 2024 e apenas um psiquiatra disponível em dois dias por semana, atendendo cerca de 250 pacientes. Moradores da região dependem do serviço, que atende pacientes de nove bairros, enquanto ações para manter a qualidade do atendimento público ganham espaço no debate sobre a gestão da unidade.
Dentro da instituição, enfermeiras, assistentes sociais e técnicos se desdobram para cadastrar, acolher, ouvir, encaminhar e planejar atividades para os pacientes que chegam à unidade. A falta de profissionais sobrecarrega os profissionais remanescentes, que trabalham para manter a dignidade do atendimento, mesmo diante da escassez.
Em entrevista ao Metrópoles, integrantes do Conselho Gestor do CAPS destacaram que as condições de trabalho precárias já impactam diretamente a assistência. A unidade está sem psicólogos desde o ano passado e conta apenas com um psiquiatra, que atua apenas dois dias por semana. Além disso, uma segunda psiquiatra, que atendia de segunda a sexta-feira, está em licença médica e pode se aposentar em breve.
Segundo o Conselho Gestor, o grupo já protocolou pelo menos três solicitações à Secretaria Municipal da Saúde pela ampliação do número de profissionais. A SMS informou ter recebido as demandas, mas a medida não foi aprovada pelo Conselho Gestor, órgão participativo responsável por deliberar sobre o funcionamento do equipamento. A gestão relatou que a proposta da secretaria parecia direcionar a terceirização, o que foi repudiado pelo conjunto de trabalhadores e usuários.
Entre os usuários, Rafael, que frequenta o CAPS desde 2024, afirmou ter encontrado acolhimento e apoio no espaço, descrevendo o serviço como um “braço” para a recuperação. “Quando cheguei aqui, eu quase dormia na rua; hoje estou melhorando, aos poucos”, contou. Outro morador, Jorge, que acompanha o serviço há 17 anos, destacou que o CAPS oferece amizades e acesso à alimentação, com cerca de 30 pacientes diários e 200 usuários que procuram atendimentos eventuais.
Na manhã de 26 de março, ativistas, parlamentares, funcionários e usuários realizaram um ato público em apoio ao CAPS, em protesto contra a terceirização da gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB. O movimento contou com o apoio do Sindsep e exigiu a nomeação de servidores aprovados em concurso vigente. Cartazes foram usados para denunciar a redução da equipe e cobrar mais transparência na gestão da saúde mental na cidade.
Maria Mota, coordenadora regional do Sindsep, descreveu o protesto como um grito de indignação diante da falta de psicólogos e da redução da equipe. Ela reforçou que existem recursos financeiros e concursos públicos aprovados, mas a administração não chamaria os concursados, optando por terceirizar. O grupo insistiu na necessidade de fortalecer o serviço público de saúde mental para atender com qualidade os moradores da região.
O debate em torno do CAPS Vila Prudente permanece aberto, com a sociedade civil cobrando decisões que assegurem uma equipe estável, condições adequadas de trabalho e atendimento contínuo para pessoas com condições mentais graves. A cidade acompanha os próximos passos da gestão, enquanto pacientes e profissionais pedem transparência e compromisso com a saúde pública. Se você acompanha o tema, compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre o futuro do CAPS e da saúde mental na região.

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