O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira um corte de 50% no próprio salário e no vencimento dos ministros, como resposta à crise política e social que aflige o país. Em Sucre, cidade onde fez o pronunciamento, ele descreveu a medida como uma demonstração de compromisso com o país e com a estabilidade fiscal. O anúncio faz parte de um conjunto de ações para acalmar a tensão que se arrasta há semanas.
A decisão ocorre em meio à quarta semana de protestos e bloqueios de estradas promovidos por manifestantes que exigem a renúncia de Paz e criticam as medidas de austeridade implementadas pelo governo. Os atos têm causado interrupções no tráfego e pressão sobre serviços básicos e cadeias de suprimentos. O governo afirma que busca evitar uma escalada, mantendo o apoio popular necessário para enfrentar a crise.
Os protestos estão impactando diretamente o abastecimento em cidades como La Paz e El Alto, com relatos de escassez de alimentos, combustível e medicamentos. Autoridades destacam que a inflação local e o custo de vida são os principais alvos de críticas. Enquanto isso, o governo aponta que as medidas de ajuste são essenciais para manter a economia sob controle, ainda que haja desgaste político.
Segundo informações do Ministério da Presidência, Rodrigo Paz recebia cerca de R$ 17 mil por mês, enquanto os ministros tinham vencimentos próximos de R$ 15 mil. Com o corte de 50%, esses valores caem para aproximadamente R$ 8 mil e R$ 7 mil, respectivamente. A mudança é apresentada como temporária, sujeita a revisões conforme o desenrolar da crise.
Os manifestantes reiteram a necessidade de medidas para conter o aumento do custo de vida e pedem a reversão de ações econômicas adotadas nos últimos meses. Enquanto a crise persiste, a população aguarda sinais de diálogo entre o governo e a oposição, na esperança de retomar a normalidade e evitar novos choques sociais.
