
Michelle Bolsonaro lançou o movimento Imparáveis para manter a mobilização feminina que ganhou força no PL Mulher, fora da estrutura formal do partido, em meio a ataques e à briga pública com o filho Flávio Bolsonaro.
A iniciativa nasceu dentro da equipe do PL Mulher e busca preservar a organização e as ações já em curso, com atividades voluntárias. A ex-primeira-dama deverá continuar atuando como porta-voz de seus ideais, enquanto o comando oficial do PL Mulher passa por mudanças.
Fora do comando, o cenário institucional do PL Mulher também mudou: Valdemar Costa Neto encerrou a presidência nacional, mantendo apenas diretórios estaduais. Com isso, a equipe de Michelle deixou o quadro de funcionários do partido, e o escritório em Brasília deverá ser desocupado até o fim do mês, mantendo, porém, a distância institucional.
Nas redes, o Imparáveis já ganha tração. O movimento, descrito por integrantes ouvidos pelo Metrópoles como uma iniciativa de inclusão feminina na política, pretende manter a voz de Michelle. Em posts iniciais, o grupo utilizou trechos do filme Mulher Maravilha para ilustrar ataques recebidos, com legendas ressaltando que, mesmo diante das dificuldades, é preciso coragem para seguir em frente.
A crise entre Michelle e Flávio se intensificou após ela dizer ter sido humilhada e desrespeitada pelo filho em vídeos divulgados no fim de junho. Dias depois, Michelle se recusou a retratar publicamente uma defesa ao pré-candidato do PL à Presidência, e entregou o comando no partido. Flávio, por sua vez, afirmou que não lhe coube ofender Michelle e pediu desculpas caso tenha feito, além de ter feito convite para uma reunião com lideranças femininas — uma solicitação negada pela equipe de Michelle.
Desde então, o movimento tem tentado manter o vínculo com o eleitorado feminino e evangélico, buscando acenos por meio de aliadas de Michelle, mesmo em meio à disputa interna e aos desentendimentos com a família Bolsonaro.
Como o Ceará foi palco do racha entre Flávio e Michelle
- Ainda em 2025, o deputado federal e presidente do diretório do PL Ceará, André Fernandes, passou a ensaiar uma aproximação entre Jair Bolsonaro e o ex-adversário Ciro Gomes (PSDB), com aval do ex-presidente;
- A iniciativa buscava pavimentar a caminho de uma aliança para se opor à reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará em 2026;
- A aliança com Ciro é contestada por Michelle Bolsonaro, que defende o apoio a Eduardo Girão (Novo) para o governo do estado e uma chapa puro-sangue composta por Alcides Fernandes e Priscila Costa;
- No entanto, o acordo com o PSDB implica que o PL deverá indicar apenas uma das duas vagas ao Senado, destinando a segunda indicação ao grupo de Ciro Gomes. Com isso, o diretório acertou o nome de Alcides Fernandes, deixando a aliada de Michelle de fora;
- Michelle sustenta que Bolsonaro escolheu Priscila, e que a decisão do diretório local desrespeitaria a vontade do ex-presidente, algo que André e Flávio negam.
E você, como vê o papel do movimento Imparáveis na política para além do PL Mulher? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa.
