Defesa de Hytalo Santos aciona Justiça para tentar reverter condenação por exploração sexual de adolescentes

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A defesa do influenciador Hytalo Santos, condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por crimes de exploração sexual de adolescentes, busca reverter a pena com base na lei conhecida como ECA Digital, apelidada de Lei Felca. O marido dele, Israel Natá Vicente, o Euro, recebeu condenação de 8 anos e 10 meses, além da obrigação de pagar R$ 500 mil por danos morais. Os recursos foram protocolados na Vara da Infância e Registro Público da Comarca Integrada de Bayeux e Santa Rita, na região de João Pessoa.

Segundo documentos obtidos pelo g1, a defesa sustenta que a condenação se apoia em uma interpretação ampliada do tipo penal. Os advogados afirmam que a decisão não se reduz a conteúdos de sexo explícito, mas se baseia em uma leitura mais ampla do que pode ser classificado como conteúdo sexual. O recurso ressalta que a gravidade do material não se traduz, por si, em crime, apontando que houve uma leitura inadequada do conjunto de provas e das circunstâncias do caso, com possível distorção na aplicação da lei.

Os advogados argumentam ainda que o material produzido pelos réus não evidencia conteúdo de sexo explícito, o que, na visão da defesa, impede a caracterização de crime na extensão defendida pelo STJ. Eles sustentam que o dolo — a vontade de produzir, reproduzir e divulgar as imagens — está ligado a uma expressão cultural e artística, e não apenas a uma prática sexual explícita. Assim, de acordo com a defesa, a interpretação da conduta como crime seria excessiva diante do contexto apresentado nos vídeos.

A defesa acrescenta que o material pertence a uma manifestação cultural marginal, vinculada a movimentos periféricos, como o BregaFunk, e utiliza a liberdade de expressão artística como garantia constitucional. Ao defender esse enquadramento, os advogados pedem que o conteúdo seja analisado sob a ótica de liberdade cultural, levando em conta peculiaridades da produção de conteúdo audiovisual envolvendo artistas de uma expressão regional registrada na região, e não apenas sob uma leitura punitiva simples.

Até o momento, não há prazo definido para a apreciação da petição pelo juiz responsável pelo caso de Hytalo Santos, o que deixa a defesa e a acusação em compasso de espera. A tramitação no sistema judiciário da Paraíba segue sem decisão, mantendo em suspenso a aplicação de medidas adicionais enquanto o tribunal analisa os argumentos apresentados na petição de revisão.

O conflito evidencia o debate sobre os limites entre liberdade de expressão, expressão cultural regional e proteção de menores. O desfecho poderá redefinir a forma como conteúdos audiovisuais com traços culturais específicos são avaliados pelo sistema jurídico brasileiro. O público acompanha o desenrolar com atenção, pois decisões nesse eixo afetam não apenas os envolvidos, mas a compreensão de limites legais para conteúdos artísticos veiculados em plataformas digitais.

Convidamos você a compartilhar sua opinião nos comentários: você vê equilíbrio entre proteção de menores e expressão cultural nas regras atuais, ou acredita que novas balanças são necessárias para evitar interpretações excessivas?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Defesa de Jairinho apresenta laudo que contesta perfil agressivo no julgamento do caso Henry Borel

Resumo: A defesa do ex-vereador Jairinho solicita um parecer psiquiátrico independente para contestar a avaliação apresentada pela acusação no julgamento pela morte do...

Homem é preso após quebrar dedos de mulher a pauladas no DF. Veja vídeo

Um homem de 37 anos foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio contra uma mulher de 33, no Recanto das Emas, no...

STF arquiva investigações contra Romero Jucá, Guido Mantega e Fernando Pimentel por falta de provas

O Supremo Tribunal Federal arquivou investigações envolvendo Romero Jucá, Gim Argello e os ex-ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel, no âmbito de apurações...