Pastor deixa a prisão mas será deportado do Quirguistão

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Um pastor de 66 anos, Pavel Shreider, líder da Igreja Adventista do Sétimo Dia da Verdadeira e Livre Reforma, recebeu no Supremo Tribunal do Quirguistão a ordem de libertação, após o tribunal converter a sua sentença em multa equivalente a três meses de salário. Ele tem agora até 30 dias para quitar o valor, sob pena de deportação. O caso, que teve início em Birinchi May, Bishkek, envolve décadas de tensão entre lideranças religiosas sem registro formal e as autoridades locais.

A igreja liderada por Shreider não mantém vínculo com os Adventistas do Sétimo Dia dos Estados Unidos. Surgiu durante o regime soviético como parte de um movimento reformista na região e nunca solicitou registro estatal, o que abre espaço para multas, liquidação de bens ou prisão. Um relatório do Forum18, feito em 2024, aponta que várias igrejas de pequena expressão evitam o registro justamente para não se identificar perante o regime como fundadoras de uma localidade religiosa.

No início de 2024, a polícia secreta do Comitê de Segurança Nacional (CSN) prendeu Shreider e outros membros da igreja por atividades religiosas consideradas ilegais. Posteriormente, em setembro, ele foi transferido para a unidade médica da prisão para tratamento de lesões cerebrais enquanto estava sob custódia. Em novembro, Shreider apresentou uma queixa alegando ter sido agredido pelas autoridades, descrevendo socos na cabeça e no peito e chutes nas costas, além de agressões com um cano de ferro para forçá-lo a confessar crimes.

A decisão do Supremo Tribunal do Quirguistão envolve ainda a revogação do passaporte russo de Shreider, com o estado determinando o pagamento da multa para cobrir os custos da deportação. Segundo fontes próximas, ele permanece sob vigilância, não podendo permanecer no país. A família informou que a esposa não receberá a ordem de deportação, mas que deve acompanhar o marido ao deixar o Quirguistão.

O Quirguistão figura na 40ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026, publicada pela Portas Abertas, destacando os países onde é mais arriscado para cristãos exercerem a sua fé. O caso de Shreider, acompanhado por organizações como Forum18, evidência um cenário de repressão institucional a manifestações religiosas sem registro formal na região, com impactos diretos na liberdade de culto e na mobilidade de lideranças locais.

A situação de Shreider lança luz sobre as tensões entre autoridades e comunidades religiosas sem registro, bem como sobre os dilemas enfrentados por líderes que atuam em espaços informais. A comunidade internacional acompanha o desfecho, que poderá influenciar decisões futuras sobre registro, deportação e tratamento de casos com conteúdo religioso na região. O debate também envolve direitos civis, garantias legais e o papel das autoridades na proteção de indivíduos que praticam a sua fé, mesmo diante de restrições administrativas.

Curioso para entender mais sobre esse tema e como ele pode impactar a liberdade religiosa na região? Comente abaixo com suas perguntas, opiniões e perspectivas sobre os próximos passos desse caso e o que isso significa para comunidades religiosas em situação parecida. Sua leitura e participação ajudam a ampliar o diálogo sobre direitos humanos e fé no mundo contemporâneo.

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