Doze anos após assassinato de prefeito na Bahia, acusados vão a júri popular nesta segunda

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Resumo: após quase 12 anos de espera, o desfecho do assassinato do prefeito de Itagimirim, Rielson Lima, entra em julgamento nesta segunda-feira no Fórum de Eunápolis, na Costa do Descobrimento. No banco dos réus estão Rogério Andrade, ex-vice e, depois, prefeito da cidade, acusado de ser o mandante; Jamilton Neves Lopes, apontado como executor; e Sandro Andrade Oliveira, irmão de Rogério, que continua foragido.

O crime aconteceu em 29 de julho de 2014, quando Rielson Lima, aos 51 anos, foi morto a tiros em uma praça no centro de Itagimirim. Na época, Rogério Andrade ocupava o cargo de vice-prefeito e assumiu a prefeitura após o homicídio, permanecendo no posto por aproximadamente dois anos; em 2016 ele tentou a reeleição, mas não venceu. O caso ganhou repercussão regional e passou por diversas fases processuais ao longo dos anos.

Segundo o Ministério Público da Bahia, as provas reunidas indicam que Rogério Andrade organizou o ataque motivado por dissidências políticas e por questões relacionadas à sucessão no comando municipal. A denúncia sustenta que houve rompimento entre os envolvidos em razões de dívidas da campanha de 2012, e que Rielson Lima se recusou a usar recursos públicos para quitar tais débitos. A acusação também aponta uma reaproximação simulada entre os envolvidos antes do crime, com Rogério e o irmão contratando Jamilton Neves Lopes para executar o prefeito.

Rogério Andrade

Rogério Andrade foi preso em outubro de 2020 por decisão da Justiça de Eunápolis. A defesa apresentou pedidos de revogação da prisão preventiva em diferentes instâncias, mas as solicitações foram negadas. A investigação também envolve Jamilton Neves Lopes, que foi preso em Brasília e, segundo a Polícia Civil, teria participado diretamente da execução e deixou a Bahia, alegando medo após a morte do irmão, Alessandro Lopes, conhecido como Sandro Seco, em fatos tratados como possíveis queimas de arquivo pela própria apuração.

A defesa de Rogério Andrade sustenta que ele é absolutamente inocente e afirma não existir nos autos provas de participação ou ordem para a prática do crime. Em nota, os advogados contestam a tese de que a motivação tenha sido dívida de campanha, ressaltando que as obrigações eleitorais de 2012 foram quitadas de forma comprovada no processo. A defesa também afirma que três autoridades policiais conduziram o caso sem indentificar indícios suficientes para o indiciamento durante o inquérito e que não há ligação comprovada entre Rogério Andrade e os credores citados pela investigação. Quanto a Jamilton Neves Lopes, ainda não houve confirmação oficial de sua defesa pela Defensoria Pública, segundo relatos das autoridades.

Em 2022, o ministro Nunes Marques manteve decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ), fortalecendo a linha da acusação. O atraso no desfecho do caso é atribuído a múltiplas instâncias e a dificuldades processuais típicas de julgamentos envolvendo políticos, questões de prova e a complexidade de provas colhidas ao longo de anos. O cenário envolve ainda discussões sobre o que motivou o crime e se houve, de fato, uma ruptura política entre as partes envolvidas, bem como o impacto dessas decisões sobre a percepção pública na região.

O próximo passo é o julgamento no Fórum de Eunápolis, com a expectativa de responder a perguntas cruciais sobre a responsabilização pelo assassinato de Rielson Lima e sobre a eventual participação de outras pessoas ligadas ao caso. A cobertura continua, buscando esclarecer como- se deu a organização do crime, quais foram os acordos entre os envolvidos e quais serão os desdobramentos legais para os réus.

Convidamos você, leitor, a acompanhar os desdobramentos deste caso que abalou a política local e regional. Deixe nos comentários a sua opinião sobre o andamento do processo, a condução das investigações e as consequências para a gestão pública na cidade e na região. Sua visão importa para a construção de um debate mais transparente.

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