‘Queria assustar’, diz bombeiro que matou cão a tiros em Goiânia; comunidade se mobiliza

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Moradores contestam versão de bombeiro que diz ter sido mordido pelo animal: ‘extremamente dócil’

  • Por Ana Oliveira
  • 08/04/2026 20h50

Divulgação

brutus

Brutus foi morto por um bombeiro em Goiânia

Um cachorro comunitário conhecido como Brutus foi morto a tiros no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, no último domingo (5). O autor do disparo é o soldado do Corpo de Bombeiros, Johnny Lucas Alves Rosa, que afirma ter agido em legítima defesa após ser atacado por um grupo de cães. Perícias já foram realizadas no local e a apuração segue em andamento.

O caso é investigado pela Polícia Civil de Goiás, que informou que o próprio militar registrou o boletim de ocorrência. Segundo o depoimento do bombeiro, ele praticava atividade física nas imediações do Batalhão Especializado em Operações com Produtos Perigosos (BEOPP), quando foi cercado por cerca de cinco a seis cães. O soldado relatou ter sido mordido na perna por um animal de grande porte e, após tentar afastá-lo sem sucesso, sacou a arma e efetuou um disparo.

Johnny Lucas afirmou que a intenção era apenas assustar o animal, mas o tiro acabou atingindo e matando o cachorro. O militar afirmou ter sido atendido por colegas no quartel e ser encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Novo Mundo, onde recebeu medicação, vacina e soro.

Um vídeo gravado por moradores mostra o corpo de Brutus caído no estacionamento. O registro gerou questionamentos sobre a conduta do bombeiro.

Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) afirmou que o agente agiu diante de “risco iminente” para preservar a própria integridade física. “Durante o ataque, o militar sofreu múltiplas mordidas, sendo necessário agir em legítima defesa”, informou a corporação.

Já a Polícia Civil reforçou que o caso segue sob investigação e que todas as circunstâncias serão apuradas.

Quem era Brutus? 

Brutus vivia na região do Parque Flamboyant e era conhecido por frequentadores. A morte do animal gerou comoção entre moradores e protetores independentes, que contestam a versão apresentada pelo bombeiro.

A versão que o bombeiro apresentou simplesmente não bate com o animal que a gente conhecia. O Brutus era extremamente dócil, equilibrado e se dava bem com todo mundo: adultos, crianças e outros cachorros”, afirmou a moradora Natália Rocke.

Outra testemunha, que ajudava a cuidar do cão, relatou o convívio diário com o animal. “Eu o alimentava todos os dias. Ele convivia com crianças, inclusive com a minha filha de 1 ano. Era um cachorro tranquilo, livre e feliz no parque”, disse.

A bióloga aposentada Cíntia, que também acompanhava a rotina do animal, classificou o caso como revoltante. “O Brutus fazia parte de uma rede de proteção. Era um animal comprovadamente dócil. Esperamos que haja responsabilização pelo crime ambiental cometido”, declarou.

Protetores de animais organizam uma manifestação para pedir justiça pela morte de Brutus. O ato está marcado para o próximo domingo (12), às 8h, no Parque Flamboyant.

Além da comoção, moradores cobram uma investigação mais aprofundada, com divulgação de imagens de câmeras de segurança, comprovação dos ferimentos alegados pelo bombeiro e análises periciais que possam identificar vestígios do suposto ataque.

A denúncia foi registrada e encaminhada ao Grupo de Proteção Animal (GPA) de Goiânia, sob o número de protocolo 171474.

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