Dono de fintech citou promessa de R$ 100 milhões do PCC, diz PF

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Resumo em linhas gerais: a Polícia Federal tornou pública uma investigação envolvendo Rafael Belon, empresário da fintech Tycoon, apontada como um “banco ao serviço do crime” ligado ao PCC. A denúncia, apresentada pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Tank, aponta que o esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro movimentou recursos em espécie que chegaram a dezenas de milhões e pode ter superado os bilhões de reais na soma total. Evidências de mensagens indicam promessas de pagamento ao PCC e o uso de contas chamadas de bolsão para ocultar a origem e o destino de recursos, além de ligações entre o grupo criminoso e demais integrantes de uma estrutura regional do crime.

A operação Tank, deflagrada em agosto de 2025, investiga um esquema que envolve adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e entradas milionárias no sistema financeiro. O Ministério Público Federal descreve uma rede estruturada a partir do Paraná, com atividades que alcançam a região e ligações com a facção, evidenciando uma interconexão entre o crime organizado e o fluxo financeiro formal, inclusive por meio de instituições tradicionais.

Tycoon, criada em 2016 e conhecida no mercado como Zeit Bank, é apontada pela PF como uma instituição criada para sustentar o crime organizado. A investigação registra depósitos em espécie, que somaram cerca de R$ 331 milhões, distribuídos em quase 10 mil operações, com a principal origem do dinheiro vindo de transações em dinheiro. Segundo o relatório, as contas da Tycoon chegaram a operar em bancos como Caixa e Santander, para movimentações milionárias em nome da empresa, sem identificação dos clientes.

A PF afirma que a instituição utilizava o que chama de contas bolsão para ocultar a identidade dos beneficiários. O objetivo, segundo a denúncia, era dificultar bloqueios judiciais e manter o dinheiro sob controle da própria instituição, sem registro imediato de saídas na contabilidade oficial. Esse mecanismo permitiria retardar repasses e ocultar a real movimentação financeira, conforme aponta o Ministério Público Federal.

Entre as provas, mensagens de WhatsApp encontradas no celular de Rafael Belon mostram o discurso de potencial recebimento de R$ 100 milhões prometidos pelo PCC. Em julho de 2025, Belon relata que houve contour com um interlocutor para tratar do montante, dizendo ainda não temer os integrantes da facção. Em 2022, Italo Belon Neto, pai de Rafael, reconhece proximidade com Beto Louco e Primo, apontados como os principais beneficiários do esquema, ligados à Copape e à distribuidora Aster, alvo da Operação Carbono Oculto.

Conexões regionais: Italo afirma conhecer Beto Louco desde a época em que ele importava nafta para adulterar gasolina e salienta que Primo era o adulterador da turma local. A narrativa reforça um perfil de atuação do grupo que vai além do crime comum, com uma relação tensa entre o mundo financeiro e redes de abastecimento de combustíveis, reforçada pela conexão com Copape e Aster, componentes de investigações anteriores.

Estrutura e números: a Tycoon é descrita como um “banco à disposição do crime organizado”, com contas em bancos tradicionais. O relatório aponta que cerca de 96,7% dos créditos oriundos de depósitos em espécie, totalizando R$ 331 milhões, movimentados por meio de várias agências. A investigação sustenta que bancos registraram as operações em nome da Tycoon sem identificar quem eram os clientes, o que facilita a ocultação da origem e do destino dos recursos.

Conforme o MPF, o conjunto de depósitos em espécie e a utilização de bolsões servia para manter o dinheiro fora da contabilidade regular, retardar bloqueios judiciais e proteger a atuação criminosa. Conversas de agosto de 2022 encontradas no celular de Rafael Belon descrevem o uso de contas bolsão para guardar recursos de postos de combustível sem que haja registro imediato de saída, mantendo o controle sobre os valores pela instituição.

À medida que a investigação avança, o Ministério Público Federal descreve a Tycoon como uma peça chave para disfarçar fluxos ilícitos e sustentar operações fraudulentas no setor de combustíveis, com ligações a uma rede regional de criminosos. A nossa busca por defesa dos citados ainda não teve retorno até a conclusão desta reportagem. O caso continua em curso e novas informações podem surgir nos próximos desdobramentos.

Convido você a compartilhar sua leitura nos comentários: quais aspectos da investigação chamaram mais a sua atenção, e como você avalia as implicações de operações como Tank para o combate a fraudes no setor de energia e no sistema financeiro?

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