INSS: quem é o empresário que confessou fraudes e assinou delação

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Resumo curto: O empresário Mauricio Camisotti, ligado a empresas do setor de seguros e saúde, foi preso em setembro por participação em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ele reconheceu as fraudes e fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A apuração aponta o controle de três entidades que, desde 2021, teriam faturado mais de R$ 1 bilhão com os descontos irregulares, com forte ligação a escritórios em São Paulo. O caso envolve ainda a suspensão de um acordo entre a Ambec (entidade que repassava recursos) e o INSS, e redes de parentesco entre dirigentes e familiares que atuavam como sócios de empresas do grupo.

Segundo a PF, Camisotti era responsável por três entidades que, juntas, movimentaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 por meio de descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões. Apenas no último ano, o faturamento dessas empresas atingiu cerca de R$ 580 milhões. A PF também obteve a suspensão de um acordo entre a Ambec — a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos — e o INSS, uma das engrenagens que mais repassou recursos ao grupo, com aproximadamente R$ 30,1 milhões. Investigações já haviam mostrado que Ambec, Unsbras e Cebap tinham diretoria estatutária composta por funcionários e parentes de executivos ligados ao conglomerado de Camisotti.

Entre os nomes ligados ao empresário, a PF destacou Maria Inês Batista de Almeida, que presidiu a Ambec entre 2023 e 2024. Embora se apresentasse como auxiliar de dentista, a autoridade detectou que ela constava como funcionária, registrada como faxineira em empresas associadas a Camisotti. Outros familiares próximos aparecem como sócios de empresas e associações, todas conectadas ao grupo. Quatro empresas do núcleo Total Health teriam recebido R$ 43 milhões de associações ligadas às entidades, com destaque para Prevident, Rede Mais e Benfix. A Prevident, dirigida por José Hermicesar Brilhante Palmeira — que já atuou como secretário-geral estatutário da Ambec na gestão de Maria Inês — recebeu sozinho cerca de R$ 16,3 milhões da Ambec.

A defesa de Camisotti, na época da operação, alegou não haver motivo para a prisão e apontou arbitrariedade na ação policial. A PF recolheu depoimentos do empresário e encaminhou o acordo de delação premiada ao ministro do STF André Mendonça, que deverá analisar os termos para conferir validade jurídica ao documento. Camisotti havia sido transferido da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da PF em São Paulo, em tratativas conduzidas pelo advogado Celso Villardi, o mesmo que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em outra frente jurídica.

O episódio é parte de um escândalo revelado pelo Metrópoles a partir de uma série de reportagens iniciadas em dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação com descontos de mensalidades de aposentados chegou a acumular quase R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações envolvidas respondem a milhares de ações por fraude. A série resultou na abertura de inquérito pela PF e alimentou apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do veículo foram usadas como base para a operação Sem Desconto, deflagrada em abril, que provocou demissões no INSS, incluindo o presidente da autarquia e o ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Além de Camisotti, a PF apontou outras pessoas ligadas ao esquema, incluindo aqueles rotulados como “laranjas” para a transação financeira entre as entidades e as empresas do grupo. Entre os relatos de investigações, constam elementos sobre parentesco já citado, assim como a atuação de várias entidades com finalidades de previdência e benefícios que movimentaram cifras estrondosas no período investigado. O caso ressalta a complexidade de fraudes que envolvem estruturas de associação, empresas de assistência médica e corretoras de seguros, com impactos diretos sobre recursos destinados a aposentados e pensionistas.

Este é um tema de grande repercussão na cidade de São Paulo, onde as investigações indicam a interconexão entre empresas, entidades de benefícios e gestores, com efeitos significativos sobre a confiança pública e a gestão de recursos do INSS. A PF segue apurando detalhes do acordo de delação, a validação pelo STF e o desdobramento de eventuais prisões ou medidas cautelares. Como o leitor, você pode acompanhar os próximos capítulos deste caso e seus desdobramentos legais e administrativos nas próximas reportagens.

E você, leitor, o que pensa sobre a atuação de autoridades e empresários nesse tipo de esquema? Deixe sua opinião nos comentários. Qual a sua leitura sobre os impactos para aposentados, trabalhadores e para a credibilidade das instituições? Queremos saber a sua visão.

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