Iphan notifica administração da Igreja da Graça após identificar falhas e “patologias” na conservação

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Resumo: A Igreja de Nossa Senhora da Graça, uma das primeiras casas de culto de Salvador, recebeu, na prática, uma vistoria do Iphan que resultou em uma notificação ao Mosteiro de São Bento da Bahia para esclarecer o estado de conservação e tomar medidas de manutenção, sob pena de comprometimento do patrimônio tombado. O material técnico evidencia infiltrações, telhas ausentes e falhas estruturais, enquanto o acervo do templo guarda obras de valor histórico, incluindo tombas e peças de arte que remontam a séculos passados. A ação integra um conjunto de esforços para proteger um prédio cuja história se confunde com a formação da cidade e com lendas locais sobre Catarina Paraguaçú e outros personagens do estado.

O documento, obtido pelo Bahia Notícias, aponta que o notificado, o Mosteiro de São Bento da Bahia, tem um prazo de 15 dias, a contar de 31 de março deste ano, para apresentar posicionamentos sobre os requerimentos do Iphan. Entre as solicitações, está o envio de um oficio à Defesa Civil de Salvador (Codesal) e ao Corpo de Bombeiros para a realização de uma nova vistoria no imóvel e a manifestação formal quanto às condições de conservação.

Conforme o conteúdo do relatório, o Iphan recomenda que o Mosteiro tome providências para a manutenção do imóvel de modo a evitar danos ao patrimônio cultural tombado. A notificação também enfatiza a necessidade de acionar órgãos de prevenção a desastres para que vistoriem o prédio com as competências de cada instituição e apresentem parecer técnico. Em síntese, trata-se de um alerta para preservar a integridade estrutural e patrimonial da igreja, com foco também na segurança de moradores da região.

A investigação do Iphan traz um mapeamento fotográfico que registra falhas em áreas internas e externas, incluindo infiltrações e a ausência de telhas na cobertura. O laudo aponta ainda que certos bens integrados ao coro não estão presentes no prédio e que alguns desses itens estão armazenados em uma das clausuras, sendo recomendada a sua recolocação. Pequenos reparos na pintura das fechadas e tratamento de áreas com descascamento e biofilme também aparecem entre as recomendações técnicas.

A Igreja da Graça, tombada pelo Iphan em 1938, remonta aos anos de 1535 e abriga um acervo valioso que inclui restos mortais de Catarina Paraguaçu, autora de uma das narrativas fundadoras da história baiana. A edificação foi erguida, segundo estudo local, após o retorno de Paraguaçu de uma viagem à França, motivada por um sonho relacionado à imagem de Nossa Senhora da Graça. O terreno para a igreja foi cedido pela própria Catarina, consolidando um capítulo central da memória regional.

Entre os destaques do acervo está a presença de obras de arte, peças de época, e o madeiramento original, além de obras de Manuel Lopes Rodrigues, importante pintor baiano do realismo, e de peças do século XVIII. A narrativa histórica também menciona o túmulo de Catarina Paraguaçu e relatos que associam a igreja a outros episódios marcantes do cotidiano local, como as histórias envolvendo Júlia Fetal, assassinada no século XIX, cuja memória aparece associada ao prédio por meio de fontes históricas e de produções culturais.

Confira a seguir um conjunto de imagens fornecidas pelo Iphan, que ilustram as condições do monumento e seus espaços históricos.

Caso deseje ver os detalhes técnicos, o material fotográfico aponta ainda a ausência de bens no coro e a necessidade de reposicionamento de objetos históricos. As imagens também sugerem reparos nas áreas com pintura descascada e na presença de biofilme, reforçando o conjunto de ações preventivas para a proteção do acervo e da arquitetura centenária.

A reportagem técnica destaca que a Igreja da Graça, embora cercada por uma aura histórica singular, demanda um cuidado permanente para manter sua função religiosa, seu acervo artístico e seu conjunto arquitetônico frente aos riscos de deterioração e aos impactos de eventos climáticos. A preservação desse patrimônio depende, em última instância, da colaboração entre o poder público, as instituições ligadas à proteção do patrimônio e a cidade como um todo, mantendo viva a memória de Salvador.

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