Polícia paquistanesa é acusada de tortura e morte de pai católico em Lahore; câmbio de acusações e protestos alertam para falhas no sistema de custódia
Um pai católico de quatro filhos, Iftikhar Masih, morreu sob suposta tortura pela polícia de Lahore pouco depois de ser detido sob acusações de sequestro. A família contesta a versão oficial, afirmando que a morte ocorreu após abordagem policial, e os acontecimentos desencadearam protestos significativos na cidade, trazendo à tona preocupações sobre mortes sob custódia na província de Punjab.
Segundo o relato do irmão, Riyasat Masih, a família recebeu uma ligação na manhã de 26 de março, supostamente do número do marido, feito por alguém que se identificou como policial. A mensagem dizia que Iftikhar havia sido flagrado tentando sequestrar uma garota em um condomínio privado, e que ele deveria se apresentar à delegacia da área industrial de Kahna. Na delegacia, um policial identificado como Mohsin Shah apresentou as acusações, dizendo que ainda não havia Boletim de Ocorrência registrado e sugerindo que o caso poderia ser “resolvido” mediante pagamento de suborno.
De acordo com o irmão, o policial exigiu a quantia de 200.000 rúpias paquistanesas (aproximadamente US$ 720) em troca da libertação de Iftikhar. “Implorei que meu irmão era inocente e tinha bom caráter, mas ele insistiu no pagamento”, relatou Masih. Ao retornar com o dinheiro, ele soube que Iftikhar havia morrido. A família afirma que o corpo apresentava sinais de violência e afirma que a versão de suicídio não condiz com as marcas observadas.
A esposa de Iftikhar não recebeu o laudo da autópsia até o momento, e a família relata que não houve queixa formal de sequestro na delegacia. Eles também contestam a narrativa de enforcamento a partir de um lençol ligado a um ventilador de teto, destacando sinais visíveis de tortura no corpo do marido. A ausência de documentação e a falta de transparência alimentam a dúvida sobre o que ocorreu antes da morte.
A notícia gerou protestos de moradores cristãos da cidade, com mais de 300 pessoas se reunindo em frente à delegacia para exigir respostas e impedir que uma ambulância entrasse para recolher o corpo por várias horas. O deputado cristão Falbous Christopher visitou o local e pressionou por responsabilidade, levando a polícia a registrar um boletim de ocorrência contra Shah e um cúmplice não identificado. Shah foi detido em seguida, conforme relatado pela família.
O funeral de Iftikhar Masih ocorreu no dia 27 de março, com centenas de pessoas prestando homenagens e atestando a reputação dele na localidade como jardineiro da Universidade de Lahore, onde trabalhava há muitos anos. O episódio ocorre em meio a uma onda de preocupações sobre mortes sob custódia policial e execuções extrajudiciais na região de Punjab, onde a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP) aponta números alarmantes e padrões que sugerem prática institucionalizada, e não incidentes isolados.
Em seu relatório divulgado em 17 de fevereiro, a HRCP registrou que, nos primeiros oito meses de 2025, pelo menos 924 pessoas foram mortas em confrontos com a polícia na província. Segundo o órgão, as famílias costumam afirmar que as vítimas foram detidas antes de confrontos posteriores descritos como armados, levantando sérias dúvidas sobre as táticas de aplicação da lei. O grupo de apoio aos cristãos Portas Abertas também manifestou preocupação com a situação das minorias religiosas no Paquistão, listando o país como oitavo na Lista Mundial da Perseguição de 2026, citando discriminação sistêmica e violência, entre outros fatores, que afetam a comunidade cristã local.
Este caso foi apurado com base em informações publicadas por veículos de referência voltados ao público cristão, que acompanham denúncias de abusos e de violação de direitos humanos na região. O debate continúa aceso, com a sociedade civil cobrando investigações completas, responsabilização de autoridades e garantias de que casos semelhantes não se repitam.
Como você avalia a atuação das autoridades na proteção dos direitos humanos e na apuração de mortes em custódia? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate sobre justiça, transparência e proteção às minorias na Pakistan. Sua voz importa.
