Asa Norte: travestidos de moradores de rua, bandidos aterrorizam no “beco do crack”

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Asa Norte sofre com o “beco do crack”: medo, violência e ações públicas

Resumo: Moradores da Asa Norte convivem com violência, furtos e tráfico na região conhecida como o “beco do crack” na 716 Norte, levando autoridades a reforçarem o policiamento e os serviços sociais, enquanto a população cobra respostas efetivas e continuidade de ações públicas.

A área entre os blocos A e B e G e H da região comercial abriga comércio e moradias, a apenas 1,4 quilômetro da 2ª Delegacia de Polícia. O problema se intensifica a partir das 18h, quando criminosos, usuários de crack e traficantes atuam com relativa liberdade, gerando sensação de insegurança que se estende, de modo mais intenso, para a noite e parte do dia seguinte.

Dona Maria, moradora da região, descreve um cenário de medo constante. “A gente sente que o Governo do Distrito Federal abandonou a gente. São muitas pessoas em situação de rua aqui, pedem doações a todo instante, xingam, ameaçam e furtam toldos e plantas. A sensação é de medo o tempo todo”, relata. A simples circulação de indivíduos nas proximidades alimenta a apreensão dos comerciantes e residentes.

João, outro morador ouvido pela reportagem, confirma a gravidade dos acontecimentos: “um deles agrediu uma mulher na frente das lojas; jorrar sangue foi chocante. Já tentaram expulsar os grupos, mas voltam em questão de dias”, diz, frustrado com a frequente reincidência dos crimes. A impressão comum entre os entrevistados é a de que o local virou ponto de atuação de atividades ilícitas que afetam o cotidiano da região.

Para dificultar ações dos criminosos, muitas fachadas de lojas foram cercadas com grades, algumas com arame farpado, uma tentativa visível de limitar furtos e invasões. Ainda assim, a presença de pessoas em situação de rua e a atuação de traficantes concentram atividades na área, prejudicando a circulação de clientes e moradores que precisam passar pelo corredor comercial.

Fernando, outro morador, descreve o tom da violência: “o crack tomou conta do beco. as casas são alvos de assaltos com repetição, a polícia prende, e a delegacia devolve o Boletim de Ocorrência, mas a dinâmica volta à conjuntura anterior. A situação expõe uma criminalidade enraizada que afeta quem paga impostos e trabalha na região.”

O que dizem os órgãos do governo não deixa de trazer clareza sobre a complexidade da questão. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) frisa que a segurança é tarefa das autoridades competentes e que não há dados que comprovem que pessoas em situação de rua sejam, por si, delinquentes. A Sedes reforça que o papel do governo é oferecer rede de proteção social e impedir rótulos que criminalizem quem já enfrenta vulnerabilidade, mediante o Plano Distrital para a População de Rua, uma estratégia integrada de acolhimento, atendimento e autonomia. A pasta aponta ainda que existem dois Centros Pop (Asa Sul e Taguatinga), funcionados diariamente a partir das 7h, funcionando como apoio para quem vive ou sobrevive nas ruas.

A Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) reconhece as dificuldades locais. O bairro da Asa Norte foi escolhido para o lançamento do programa Brasília Mais Segura, com foco em locais com maior incidência de consumo de drogas e furtos durante a madrugada. A SSP-DF admite que há infiltração de criminosos que se passam por pessoas em situação de rua para facilitar o tráfico e a prática de furtos, incluindo o furto de cabos. A pasta também aponta que a concentração de pessoas vulneráveis e o tráfico de entorpecentes em áreas comerciais aumentam a percepção de risco entre moradores e comerciantes, exigindo ações integradas entre policiamento e assistência social.

O conjunto de relatos, números e ações oficiais indica que as respostas não estão concentradas apenas na repressão, mas também no fortalecimento de redes de proteção social. A ideia é articular abrigos, atendimento social, encaminhamentos a serviços de saúde mental e programas de saída da rua. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade que facilita atividades delituosas, sem marginalizar quem já enfrenta condições de vida precárias. Segundo os relatos oficiais, o Distrito Federal vem avançando com medidas transversais por meio de planos que envolvem diversas pastas, reforçando a atuação diária dos Centros Pop e ampliando a presença de policiamento em horários críticos para a região.

Para os moradores, porém, a sensação de insegurança persiste, e a distância entre promessas oficiais e a efetividade no dia a dia é o que mais preocupa. A proximidade com escolas particulares renomadas da capital também reforça a necessidade de uma intervenção que garanta segurança, ordem e dignidade para quem trabalha na região e para quem reside nela, sobretudo durante as noites e madrugadas.

Além disso, a equipe do jornal acompanhou a movimentação pela área, incluindo as dificuldades de fiscalização durante a noite e as tentativas de integração entre serviços sociais e policiamento. O debate continua, com a população pedindo ações consistentes, melhoria da iluminação pública, maior presença de equipes de atendimento social e estratégias mais eficazes para coibir o tráfico sem criminalizar pessoas em situação de rua.

Compreender os desafios locais e as três frentes de atuação — proteção social, policiamento e infraestrutura urbana — é essencial para avançar na solução do problema. A expectativa é de que novas ações avancem com coordenação entre governo, comunidade e iniciativas privadas, para devolver à Asa Norte a sensação de segurança que já teve no passado.

Como você enxerga a situação na sua região? Deixe seus comentários, compare experiências e proponha soluções. Sua opinião pode contribuir para debates públicos e para medidas que melhorem a qualidade de vida de quem vive, trabalha ou frequenta a Asa Norte.

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