Resumo rápido: o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dez policiais militares por supostos crimes cometidos durante uma operação realizada nas localidades Nova Holanda e Parque União, na região da Maré, em janeiro de 2025. As acusações englobam invasão de domicílio sem mandado judicial, descumprimento de missão e desobediência, além de irregularidades no uso de câmeras corporais. O caso envolve agentes do Bope e do COE, e tramita sob apuração da Auditoria da Justiça Militar.
A denúncia e o contexto – o Grupo de Atuaçao Especializada em Segurança Pública do MPRJ (GAESP/MPRJ) apresentou denúncia contra dez policiais militares, apontando crimes como invasão de domicílio, descumprimento de missão e desobediência. Conforme as informações encaminhadas, as ocorrências teriam ocorrido durante uma operação nas localidades Nova Holanda e Parque União, no Conjunto de Favelas da Maré, em janeiro de 2025. As investigações começaram após contatos de testemunhas com o plantão da ADPF 635, mantido pelo MPRJ para registrar relatos de possíveis violações de direitos fundamentais ocorridos em operações de força pública.
Detalhes das ações questionadas – segundo a denúncia, agentes lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope), atuando pelo COE, entraram em imóveis sem autorização judicial e sem que moradores estivessem presentes, com a invasão ocorrendo naqueles locais. Em relatos, houve uso dos ambientes para fins pessoais, como descansar, utilizar banheiros e até consumir bebidas, em situações que destoam da atuação policial prevista para incursões. Em alguns casos, os policiais teriam permanecido por períodos prolongados dentro das residências, contrariando o objetivo das ações de incursão e estabilização.
Conforme as acusações, irregularidades com as câmeras corporais também aparecem entre as denúncias. Os documentos citam casos em que agentes teriam obstruído deliberadamente os equipamentos, registrando apenas a tela preta, ou teriam direcionado as câmeras de modo inadequado, dificultando a captação de imagens das ações durante as operações. Entre os denunciados estão os sargentos Cláudio Santos da Silva e Rodrigo Rosa Araújo Costa, além do cabo Diogo de Araújo Hernandes, com relatos sobre a forma de uso das câmeras durante as ações.
Outros policiais citados – a denúncia envolve ainda os sargentos Douglas Nunes de Jesus, Carlos Alberto Britis Júnior, Bruno Martins Santiago; o tenente Felippe Martins; e o cabo Diego Ferreira Ramos Martins. A lista evidencia uma atuação marcada por relatos de descumprimento de missão e pela permanência irregular dentro de imóveis invadidos, sem justificativa operacional adequada, conforme o MPRJ.
Caminhos de denúncia e ADPF 635 – o Plantão da ADPF 635 funciona como canal específico para recebimento de relatos sobre possíveis violações de direitos durante operações policiais. Além disso, o MPRJ indica que, na página da ADPF 635, existem informações sobre os canais disponíveis para envio de imagens, áudios, vídeos, Geolocalização e documentos relacionados a possível ilegalidade.
Resposta da Corregedoria e do comando da PM – a Corregedoria-Geral da Polícia Militar abriu um procedimento apuratório cabível para verificar a participação dos policiais denunciados pelo MPRJ. Em resposta à Agência Brasil, a assessoria de imprensa da Secretaria de Polícia Militar informou que, ao término das investigações, o relatório foi encaminhado à Auditoria da Justiça Militar, ressaltando que o órgão instaurou o procedimento assim que tomou conhecimento do possível desvio de conduta, ocorrido no ano anterior. O comando da corporação afirma que está comprometido com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.
Como denunciar e próximos passos – o MPRJ disponibiliza canais para denúncias por e-mail ([email protected]) e pelo telefone 21–2215-7003, disponível também no WhatsApp Business. Além disso, a página da ADPF 635 no site do MPRJ oferece informações sobre os meios de envio de materiais relacionados a possíveis irregularidades.
Reflexão final – este caso destaca o debate sobre limites de atuação policial, o uso de câmeras corporais e a importância de canais formais para monitorar condutas em operações em áreas sensíveis da cidade. A transparência e a devida apuração são cruciais para fortalecer a confiança da população na atuação das forças de segurança e na proteção dos direitos fundamentais de moradores e locais envolvidos.
E você, qual é a sua leitura sobre os episódios relatados? Acha que as instituições estão seguindo o caminho correto na apuração de denúncias contra agentes de segurança? Compartilhe suas opiniões nos comentários abaixo para estimular o debate público com responsabilidade e embasamento.

