Resumo: uma professora de natação morreu após uma aula na zona leste de São Paulo e outras seis pessoas ficaram hospitalizadas. o laudo do instituto médico legal aponta necrose nos pulmões, edema intra-alveolar e sinais de inflamação, possivelmente causados pela exposição a gases tóxicos resultantes de uma mistura inadequada usada para a limpeza da piscina. o caso levou à interdição da academia, à investigação de irregularidades e à apuração policial envolvendo os proprietários do estabelecimento.
Segundo o laudo, Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, apresentou “necrose fibrinoide incipiente de septos alveolares”, evidência do início da morte dos tecidos que formam os alvéolos pulmonares. o documento também descreve “focos de hemorragia recente”, sangue dentro dos pulmões e edema intra-alveolar, com alvéolos cheios de ar e glóbulos brancos, indicando uma reação inflamatória aguda após intoxicação.
Outros órgãos da vítima também apresentaram alterações: o córtex cerebral mostrou coloração esverdeada e sinais sugestivos de inflamação ou estase circulatória. o fígado tinha acúmulo de sangue e pequenas quantidades de gordura; os rins apresentavam sangramento e sinais de autodestruição celular, possivelmente acelerados por condições patológicas severas ou pelo tempo entre o óbito e a coleta de material para exame.
A principal hipótese investigada é de que Juliana tenha sido exposta a uma grande quantidade de gases tóxicos, produzidos por uma mistura inadequada para a limpeza da piscina. a professora passou mal logo após a aula de natação e apresentou vômitos com líquido esbranquiçado e espumoso antes de receber socorro. a suspeita é de intoxicação por gases gerados durante a manipulação de químicos na piscina da academia.
A aula de natação aconteceu na academia C4 Gym, em Vila Prudente. o marido de Juliana também sentiu mal-estar na piscina. após a aula, eles procuraram atendimento no hospital Santa Helena, em Santo André, e Juliana não resistiu; outras seis pessoas também necessitaram de atendimento médico.
Imediatamente após o ocorrido, a academia foi interditada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura de Vila Prudente. as inspeções apontaram risco elevado para a saúde humana, com indícios de vazamento de gases tóxicos. em inspeções posteriores, foi apontado que certificados de capacitação para operação da piscina estavam em nome de dois dos proprietários, e não do responsável direto pela manipulação química, que atuava sem capacitação formal.
Os produtos químicos eram armazenados em uma sala de apenas 2 m², com frascos no piso e uma mistura líquida rosada em balde aberto. após análises, foi detectado hipoclorito de sódio, indicando concentração de cloro muito acima da da piscina. câmeras mostraram Juliana nadando na raia próxima ao local onde o balde com o produto químico foi deixado. em depoimento, um dos proprietários admitiu que o alvará de licença e funcionamento da prefeitura estava vencido.
A Polícia Civil investiga o caso por meio de inquérito no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas. os três sócios-proprietários da academia foram indiciados por homicídio e por expor a vida ou a saúde de outrem a perigo. a autoridade solicitou a prisão temporária, que ainda estava sob análise até a última atualização, com diligências em curso. a secretaria de segurança pública ressaltou que as apurações seguem com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do crime e a participação de cada envolvido.
O desfecho trágico traz à tona debates sobre segurança em ambientes de atividades físicas e a necessidade de rigor em licenças, armazenamento de químicos e treinamento de pessoas que lidam com substâncias tóxicas. a cidade de Vila Prudente passa a exigir maior fiscalização e conformidade com normas de segurança para evitar novas ocorrências semelhantes. Qual é a sua leitura sobre as normas de segurança em academias? compartilhe seus comentários, dúvidas e opiniões abaixo para enriquecermos o debate.

