Conpresp vota destombamento de prédio icônico da Av. Angélica nesta 2ª

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Resumo: O prédio da Panamericana, na Avenida Angélica, Higienópolis, pode perder o tombamento mantido há cerca de um ano e meio. A votação do Conpresp está quase fechada, com quatro votos favoráveis ao destombamento e três contrários, restando apenas o voto do presidente para definir o desfecho. Entidades da sociedade civil, a FAU-USP e a ESPM manifestam-se contrárias à retirada do tombamento, enquanto a Keeva Empreendimentos sustenta a descontinuação do status de proteção.

O imóvel, uma obra de arquitetura pós?modernista projetada pelo arquiteto Siegbert Zanettini, tornou?se símbolo de debates sobre preservação e identidade da cidade. Zanettini, docente da FAU?USP por mais de 40 anos, assinou projetos que marcaram a trajetória da arquitetura brasileira no fim do século XX. A edificação foi tombada pelo Conpresp há mais de 18 meses, decisão contestada pela proprietária Keeva e pela defesa de interesses vinculados ao edifício.

A defesa da manutenção do tombamento recebeu apoio de entidades ligadas à preservação histórica e cultural. Integrante do coletivo Pró?Higienópolis, Cleiton de Paula afirmou que os pareceres técnico e jurídico do próprio Conpresp recomendavam a manutenção do tombamento e não o acolhimento do recurso. Além disso, na sexta?feira passada, o Fórum de Associações Civis da Cidade de São Paulo também se posicionou contra o destombamento, ressaltando impactos na credibilidade dos instrumentos públicos de tutela ambiental?cultural.

“Trata?se de edifício que sintetiza, de forma singular, debates fundamentais daquele período, notadamente no campo da arquitetura pós?moderna, da expressão tecnológica e da incorporação de linguagens associadas à industrialização e à cultura visual contemporânea”, afirma o grupo da direção da FAU?USP, em defesa da manutenção do tombamento.

A ESPM, responsável pela gestão da Panamericana, reconheceu a importância simbólica e cultural do espaço para a cidade e para a região, mas reiterou que não detém a propriedade do imóvel nem tem ingerência no processo de tombamento. Em nota, a instituição ressaltou que não pode influenciar o desfecho do processo.

Do lado da empresa proprietária, a Keeva Empreendimentos e Participações sustenta que o prédio não apresenta os atributos necessários para manter o tombamento. Em parecer técnico, o arquiteto Pedro Taddei Netto classificou o imóvel como sem valor histórico, urbanístico, artístico ou afetivo. A Keeva também afirma que o edifício está alugado e que, por isso, não deve ser demolido. Segundo representantes da empresa, o tombamento anterior teve seu peso alterado pela votação, com a defesa de Zanettini recebendo “um voto de qualidade” em momentos decisivos.

A defesa apontou ainda que houve redução do escopo do tombamento por parte do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e que representantes desse órgão votaram a favor do destombamento no recurso recente. O caso continua em andamento, com a expectativa de um desfecho que possa influenciar a forma como a cidade trata seus patrimônios arquitetônicos de segunda metade do século XX.

Galeria de imagens

Caso a decisão não seja alterada, o processo de destombamento pode seguir para etapas finais, com impactos diretos na gestão do patrimônio público de São Paulo. O tema não envolve apenas um edifício específico, mas envolve a credibilidade dos mecanismos de proteção da memória urbana e a forma como a cidade lida com obras emblemáticas de momentos decisivos da arquitetura brasileira.

Para os leitores, fica o convite: a preservação de imóveis que marcaram décadas passa pela participação da sociedade e pela avaliação técnica cuidadosa do valor histórico. A decisão está nas mãos do Conpresp e poderá influenciar futuras políticas de proteção do patrimônio na cidade. Como você enxerga a importância de conservar esse tipo de obra para a memória e identidade de São Paulo? Deixe seu comentário e compartilhe sua visão.

Palavras?chave: destombamento, Panamericana, Conpresp, patrimônio histórico, Siegbert Zanettini, FAU?USP, Keeva, ESPM, Higienópolis, preservação urbana.

A cidade segue atenta ao desfecho, já que o tema envolve não apenas a defesa de uma construção específica, mas a forma como São Paulo valoriza sua memória arquitetônica e a responsabilidade pública na tutela do seu patrimônio. A decisão final pode definir padrões para futuras avaliações de edificações que, como a Panamericana, remetem aos debates entre modernidade, técnica e cultura visual contemporânea.

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